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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

PROFª. MARINALVA FREIRE DA SILVA – HOMENAGENS

Francisco Miguel de Moura, escritor
Membro da Academia Piauiense de Letras

Passou o Dia do Professor e eu não fiz nenhuma homenagem a esta classe tão valiosa quanto necessária ao país para progredir com a aprendizagem e a educação dos seus habitantes e no futuro possua cidadãos de bem. É preciso começar o aprendizado desde criança, em casa, depois na escola. Tenho dois filhos, os já ilustres professores Franklin Morais Moura e Fritz Morais Moura. Além disto, três irmãs professoras (Teresinha de Jesus Moura, Mariinha Josefa de Sousa e Helena Josefa de Sousa, a primeira já falecida). E como não lembrar meu pai - professor a vida inteira, Miguel Borges de Moura, conhecido por Prof. Miguel Guarani, e sobre quem escrevi o livro “Miguel Guarani – Mestre e o Violeiro”, que valeu uma grande e valiosa tese da Professora Cristiane Feitosa Pinheiro, da Universidade Federal do Piauí? Não esqueço também sobre mais dois filhos Laudemiro Miguel Morais Moura e Francisco Miguel de Moura Jr. Eles exercem outras profissões tão honrosas quanto a de professor: - O primeiro, formado em administração, é empresário na em Salvador-BA; o segundo é bancário, advogado e escritor (que, por modéstia, ainda não publicou livro).

Demorei a entrar no assunto do título, mas a partir de agora, a Professora Marinalva Freire da Silva, e o livro que foi editado em sua homenagem estão no palco. O livro é um “Perfil Biobibliográfico”(Ed. Ideia, João Pessoa, 2016) escrito por meu amigo e grande poeta de João Pessoa - PB, Luiz Fernandes da Silva, de parceria com seu colega Rafael Francisco Braz. Os dois autores conseguiram o propósito: um livro espetacular, que narra a trajetória dessa professora que fez uma importante obra e grande nome na Paraíba, em João Pessoa e em todo o Estado. Um resumo da luta da Professora Marinalva Freire da Silva pode ser sentido no pequeno trecho que, logo mais, vamos transcrever. O poeta Luiz Fernandes da Silva retrata-a: Uma pessoa que tomava decisões drásticas, quando perseguida, humilhada, porém com muito acerto. “Quando já professora da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa (…) aconteceu que, para surpresa dos alunos e do Departamento de Letras (pela falta de compreensão e apoio do chefe do departamento, tendo chegado à função com o apoio dos alunos, foi humilhada e perseguida. Ela tinha excelentes projetos sobre o ensino de Espanhol, e um deles era implantar o mestrado com o apoio da Assessoria de Linguística da Embaixada da Espanha no Brasil. Depois disto, saiu tentou respirar noutro ar, sendo liberada para realizar seu pós-doutorado na USP onde até começou, mas o perseguidor atrapalhou seus planos, pois não liberou o documento que exigiu a USP. Com lágrimas, ela se desligou do pós-doutorado, pois só podia viajar nos finais de semana devendo estar na Universidade da Paraíba na segunda-feira, pela manhã, onde ministrava aulas de segunda a sexta feia” (…) Mas, sempre ao final de um pleito não alcançado, por causa de inveja ou outro sentimento egoísta, ela sempre repetia o ditado: “Perdi a batalha, mas não perdi a guerra”.

Uma batalhadora, como a maioria dos professores. Nascida em 1948, em 2011 resolveu aposentar-se. Eis um trecho do depoimento do Prof. Rafael Francisco Braz, no livro “Perfil Biobibliográfico de Marinalva – Uma trajetória admirável”:

“Sendo uma criança muito pobre, cresceu, aprendeu e usando toda sua boa vontade e inteligência, posso dizer que eram sempre interessantes, estimulantes e nos levavam a uma viagem por lugares que havia visitado ou onde residira na Espanha. Mulher admirável, pelo seu caráter humanitário, por sua personalidade.”

Nesta oportunidade, em sendo um artigo de homenagem aos professores, me permito citar aqui grandes professores do Piauí, alguns que eu conheci e outros que os cito pela tradição: A. Tito Filho, Pe. Florêncio, Pe. Raimundo José Airemorais Soares, Prof. Francisco Cunha e Silva, Prof. Raimundo Nonato Monteiro de Santana, Prof. Benjamin do Rego Monteiro Neto, Prof. Moacir Madeira Campos, Prof. Manoel Paulo Nunes, Profa. Cecília Mendes, Professores Camilo da Silveira, Celso Barros Coelho, Júlio Martins Vieira, Clemente Fortes, Lima Rebelo e Antônio Veríssimo de Castro (Tonhá). Preciso lembrar também o Prof. José dos Santos Fonseca (este de Picos). Atualmente, destaca-se em Teresina, o Prof. José Maria Vasconcelos, escritor de belos artigos, muitas crônicas e um livro de crítica sobre Assis Brasil.

Na Paraíba, também, há e houve muitos professores notáveis, mas com estamos tratando do “Perfil Biobibliografico da Profa. Marinalva...”, passamos refletir sobre a exuberância de conhecimentos e a inteligência dessa mulher que, vencendo todos os obstáculo conseguiu produzir, escrever e publicar a tese “Edição Crítica do Regimento Proueytoso contra a Pestenesça” (CD, 1991, espanhol, impresso em português, 2008). Diz Luiz Fernandes da Silva que o prefácio da obra coube à Profa. Dra. CRISTINA DE ASSIS, da UFPB, e acrescenta que a publicação da tese oferece uma excelente oportunidade para os alunos do Curso de Letras conhecerem de perto a forma quase sempre considerada mais nobre e mais autêntica de trabalhar com a Filologia: edição de textos. Que posso dizer mais? Que é uma bela edição, bonita capa mostrando apenas metade do rosto da Profa. Marinalva, com 166 págs. prefácio, posfácio e orelhas – estas do poeta Luiz Fernandes da Silva. Publicação impecável, vindo para enriquecer qualquer biblioteca onde consiga chegar.

Para terminar quero falar um pouquinho mais sobre a profissão de professor: - Essa profissão não é apenas profissão, é um sacerdócio. Meu filho, Prof. Fritz, me diz: “Professor não é uma profissão qualquer, ele faz todas as demais profissões. Com minha definição recente, encerro: O Professor é mais do que um transmissor de conhecimentos, ele é um profeta da sociedade, um transformador do Mal em Amor e Paz.

                                                                 ***

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A PSICOPATIA, UM MAL QUE NOS ASSUSTA


Francisco Miguel de Moura* 

           Cuidado com pessoas que têm duas caras! Entre mil, há um psicopata, estatística feita por vários órgãos da imprensa. Estatística é estatística, mas, pelo sim e pelo não, é melhor não confiar em qualquer pessoa que você encontre, tenha visto várias vezes ou não. Ou mesmo com pessoa com quem vive socialmente, o dia-a-dia, familiar, ou não. Preste atenção aos seus pequenos atos, suas atitudes e até seu silêncio.
Ainda hoje se pergunta como é o cérebro de um psicopata. Igual ao das pessoas ditas normais? Quem já estudou isto profundamente?  A ciência deveria responder, mas até agora não disse nada com clareza, não trouxe nenhuma certeza.
Psicopatia é um desvio da mente, um conjunto de traços específicos de personalidades que, comumente, mostram a inadaptação social, por condutas reprováveis e até criminosas, levando boa parte à cadeia e aos hospícios. De qualquer forma, é um indesejável à sociedade, por mais inteligente que seja. Entre os norteamericanos, 25% dos prisioneiros são psicopatas. Não deve ser diferente nos demais países.
O psiquiatra americano, Dr. Hervey M. Cleckley, do Medical College, da Geórgia, descreveu em 1941, que a psicopatia pode ser considerada pela observação de um conjunto de comportamentos e traços específicos da personalidade, assim enumerados: a) pessoas que, à primeira vista, causam boa impressão; b) costumam ser egocêntricas e indignas de confiança; c) divertem-se com o sentimento alheio; d) sempre têm desculpa para os seus desvios e descuidos, em geral culpando outras pessoas: eles não têm culpa de nada. e) raramente conseguem frear seus impulsos.
Há dúvidas se a maioria dos psicopatas são homens ou mulheres. Essa proporção é inteiramente desconhecida pelos especialistas, embora as estatísticas de hoje sejam em torno dos homens.
Em 1976, a antropóloga americana, em estudo na Universidade Harvard, conta uma experiência que fez com uma tribo, no Estreito de Bering. Perguntando ao chefe da tribo o que eles faziam com pessoas dessa natureza – que nós chamamos de psicopatas. Resposta: “Alguém de nós o empurraria para a morte, quando ninguém estivesse olhando”.
Não é assim que a nossa sociedade trata os psicopatas. Mesmo sendo pessoas sem respeito pelo outro, fazendo o que lhe vier na cabeça, inclusive os chamados de “sirie killer”, assassinos em série, muitas vezes seguidos ou antecedios de estupro. Perigosos também são os que são aficionados pelo poder, no caso os políticos, ladrões, mentirosos, formadores de quadrilhas (“não vi nada, não sei de nada”, por que não lembrar aqui a frase repetidíssima de Lula). Enfim, de uma forma ou de outra, todos oferecem perigos. Mas, para o reconhecimento de um psicopata é preciso cautela; nem todos os criminosos são psicopatas, assim como nem todos os políticos o são. É preciso observação e conhecimento de sua vida pregressa, de seus atos, de sua vida etc. A psicopatia será herança genética? Tem cura? Há tratamento para o mal? A imprensa e as próprias publicações científicas nunca mostraram exemplos de psicopatas curados.  De drogados que se curam, sim; de assassinos que se arrependem, sim; de políticos que chegaram ao conhecimento e ao cúmulo de um Hitler, de um Bin Laden e de outros que tais – até agora, não.
A gente, de cá, do nosso escritório, de nossa casa sossegada, fica pensando e sofrendo, quando acontecem guerras e ataques tais como os recentes das França, Bélgica, da Síria e de outros países, Indignados com os “feitos” terroristas do Islã. Todos os que preparam as guerras terão um comportamento psicopata?  Perguntamos também por que os talibãs fazem o que fazem, por que em alguns países do Oriente, especialmente os árabes, preparam jovens quase crianças para uma tal de “guerra santa”, a favor de Maomé e do Islã. Entregam, a cada uma dessas crianças, armas e bombas metendo em suas cabecinhas que quanto mais matarem mais virgens terá lá no céu, a seu dispor.
As ideologias têm feito tanto estrago na humanidade que nos apavora, a comunista, a nazista, a fascista, a dos adeptos de Maomé, quando interpretam seu Alcorão de forma tão estúpida. A nossa própria fé cristã, a Religião Católica, na Idade Média, e muito antes, praticou enormes crueldades, levando pobres desvalidos à fogueira da Inquisição. “E assim caminha a humanidade!”, famoso livro que conta a história de nós todos no mundo, esse caldeirão que diria do inferno, se a maioria fosse doente, fosse psicopata, fosse cruel. Infelizmente a maioria sofre e, mesmo sofrendo, admira a fortaleza dos que permanecem humanos. Será que não estamos seguindo o preceito natural de que somos dotados de razão, somos irmãos no sangue, na pele, nos ossos e na alma?   As outras espécies animais não parecem com o homem em crueldade e nos desvios do seu natural, senão em casos muito específicos.    
Como que mostrando a veracidade do pensamento com que iniciamos esta redação, verifica-se no filme “O Silêncio dos Inocentes”, na interpretação do ator Anthoni Hopkins, que a face completa do Dr. Hannibal Lecter (personagem psicopata) aparece bipartida: metade clara com dois dentes de vampiro e metade escura (com um olho de olhar nublado).  
Por fim, é bom não esquecer: “Quando tiver que decidir em quem confiar, tenha em mente que a combinação consistente de ações maldosas com freqüentes jogos cênicos por sua piedade praticamente equivale a uma placa de aviso luminosa plantada na testa de uma pessoa sem consciência”. (Ana Beatriz Barbosa Silva, “Mendes Perigosas”, p.63) 
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* Francisco Miguel de Moura* escritor, membro da Academia Piauiense de Letras.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A sutil diferença entre autor e narrador


Roberto de Queiroz*


Em artigo publicado no Diario de Pernambuco (18/01/2015), Raimundo Carrero defende a ideia de que o autor de um texto ficcional não é seu narrador. Isso porque, na ótica de Carrero, o narrador é apenas uma personagem, obviamente, eleita pelo autor como a mais importante da obra. Tal importância se deve ao fato de ele ser a voz da narrativa e, consequentemente, atuar como intermediário entre o autor e o leitor. Assim, narrar é incumbência delegada ao narrador. O autor, por sua vez, estará sempre ausente do foco narrativo da obra.
Nesse contexto, nossas opiniões se encontram. O autor de um texto ficcional, certamente, não pode ser seu narrador, mesmo se tratando de um texto pautado no verossímil. A verossimilhança não pode ser confundida com a realidade. Do mesmo modo, o autor de um texto ficcional não pode ser confundido com seu narrador. E Carrero é muito feliz ao afirmar que essa é uma certeza elementar da ficção. Mas, para ele, a maioria dos leitores confunde o autor com o narrador, uma vez que a diferença entre um e outro é sutil.
No dizer de Carrero, quando o autor é o narrador, a obra deixa de ser ficcional e passa a ser biográfica. De modo que, na literatura de ficção, “o narrador pode ser até mesmo o alter ego do autor, mas não é o autor. Tudo porque a narrativa é uma representação e não uma verdade”, posto como é ficcional. Por esse prisma, o narrador pode ser o autor no caso da autobiografia ou, ainda, no caso da autoficção, em que o autor ganha um alter ego, ou seja, deixa de ser ele mesmo e assume outra personalidade.
Porém, a meu juízo, esse “eu” freudiano (ou personalidade secundária), citado por Carrero, pode perfeitamente vir à tona tanto em um texto autobiográfico quanto biográfico. Isso é possível porque, nesse gênero textual, o biografado tanto pode ser seu próprio biógrafo quanto objeto de pesquisa de outro biógrafo. E, em ambos os casos, algum fato da vida do biografado pode ser omitido ou adaptado, caracterizando uma reinvenção da realidade e, portanto, a figuração de outro “eu”.
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* Poeta, prosador, professor de Português e especialista em Letras. Autor de “Leitura e escritura na escola: ensino e aprendizagem”, Livro Rápido, 2013, entre outros. 
E-mail: robertodequeiroz@yahoo.com.br / Facebook: https://www.facebook.com/robertodequeiroz.2

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O 'QUASÍMODO MORAL' DAS ALAGOAS

Ex-'cunhadinha do Brasil' e apontada como pivô
da queda da famigerada 'República das Alagoas', 
Thereza Collor carrega nas tintas e abre o verbo 
em carta aberta ao senador Renan Calheiros

"Vida de gado. Povo marcado. Povo feliz".

As vacas de Renan dão cria 24h, por dia. Haja capim e gente besta em Murici e em Alagoas! Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana. Você sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas.

Do menino ingênuo que eu fui buscar em Murici para ser deputado estadual em 1978 – que acreditava na pureza necessária de uma política de oposição dentro da ditadura militar – você, Renan Calheiros, construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem que se acovardam e não aprendem nunca a ousar como os bandidos.

Você é um homem ousado. Compreendeu, num determinado momento, que a vitória não pertence aos homens de bem, desarmados desta fúria do desatino, que é vencer a qualquer preço. E resolveu armar-se. Fosse qual fosse o preço, Renan Calheiros nunca mais seria o filho do Olavo, a degladiar-se com os poderosos Omena, na Usina São Simeão, em desigualdade de forças e de dinheiros.

Decidiu que não iria combatê-los de peito aberto, descobriria um atalho, um mil artifícios para vencê-los, e, quem sabe, um dia derrotaria todos eles, os emplumados almofadinhas que tinham empregados cujo serviço exclusivo era abanar, durante horas, um leque imenso sobre a mesa dos usineiros, para que os mosquitos de Murici (em Murici, até os mosquitos são vorazes) não mordessem a tez rósea de seus donos. Quem sabe, um dia, com a alavanca da política, não seria Renan Calheiros o dono único, coronel de porteira fechada, das terras e do engenho onde seu pai, humilde, costumava ir buscar o dinheiro da cana, para pagar a educação de seus filhos, e tirava o chapéu para os Omena, poderosos e perigosos.

Renan sonhava ser um big shot, a qualquer preço. Vendeu a alma, como o Fausto de Goethe, e pediu fama e riqueza, em troca.

Quando você e o então deputado Geraldo Bulhões, colegas de bancada de Fernando Collor, aproximaram-se dele e se aliaram, começou a ser parido o novo Renan.

Há quem diga que você é um analfabeto de raro polimento, um intuitivo. Que nunca leu nenhum autor de economia, sociologia ou direito. Os seus colegas de Universidade diziam isso. Longe de ser um demérito, essa sua expessa ignorância literária faz sobressair, ainda mais, o seu talento de vencedor. Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici, que forneceu a você o combustível do ódio à pobreza e o ser pobre. E Renan Calheiros decidiu que, se a sua política não serviria ao povo em nada, a ele próprio serviria em tudo. Haveria de ser recebido em palácios, em mansões de milionários, em Congressos estrangeiros, como um príncipe, e quando chegasse a esse ponto, todos os seus traumas banhados no rio Mundaú, seriam rebatizados em Fausto e opulência; "Lá terei a mulher que quero, na cama que escolherei. Serei amigo do Rei."

Machado de Assis, por ingênuo, disse na boca de um dos seus personagens: "A alma terá, como a terra, uma túnica incorruptível." Mais adiante, porém, diante da inexorabilidade do destino do desonesto, ele advertia: "Suje-se, gordo! Quer sujar-se? Suje-se, gordo!"
Renan Calheiros, em 1986, foi eleito deputado federal pela segunda vez. Nesse mandato, nascia o Renan globalizado, gerente de resultados, ambição à larga, enterrando, pouco a pouco, todos os escrúpulos da consciência. No seu caso, nada sobrou do naufrágio das ilusões de moço!

Nem a vergonha na cara. O usineiro João Lyra patrocinou essa sua campanha com US$ 1.000.000. O dinheiro era entregue, em parcelas, ao seu motorista Milton, enquanto você esperava, bebericando, no antigo Hotel Luxor, Av. Assis Chateaubriand, hoje Tribunal do Trabalho.

E fez uma campanha rica e impressionante, porque entre seus eleitores havia pobres universitários comunistas e usineiros deslumbrados, a segui-lo nas estradas poeirentas das Alagoas, extasiados com a sua intrepidez em ganhar a qualquer preço. O destemor do alpinista, que ou chega ao topo da montanha – e é tudo seu, montanha e glória – ou morre. Ou como o jogador de pôquer, que blefa e não treme, que blefa rindo, e cujos olhos indecifráveis Intimidam o adversário. E joga tudo. E vence. No blefe.

Você, Renan não tem alma, só apetites, dizem. E quem, na política brasileira, a tem? Quem, neste Planalto, centro das grandes picaretagens nacionais, atende no seu comportamento a razões e objetivos de interesse público? ACM, que, na iminência de ser cassado, escorregou pela porta da renúncia e foi reeleito como o grande coronel de uma Bahia paradoxal, que exibe talentos com a mesma sem-cerimônia com que cultiva corruptos? José Sarney, que tomou carona com Carlos Lacerda, com Juscelino, e, agora, depois de ter apanhado uma tunda de você, virou seu pai-velho, passando-lhe a alquimia de 50 anos de malandragem?

Quem tem autoridade moral para lhe cobrar coerência de princípios? O presidente Lula, que deu o golpe do operário, no dizer de Brizola, e hoje hospeda no seu Ministério um office boy do próprio Brizola? Que taxou os aposentados, que não o eram, nem no Governo de Collor, e dobrou o Supremo Tribunal Federal?

No velho dizer dos canalhas, todos fazem isso, mentem, roubam, traem. Assim, senador, você é apenas o mais esperto de todos, que, mesmo com fatos gritantes de improbidade, de desvio de conduta pública e privada, tem a quase unanimidade deste Senado de Quasímodos morais para blinda-lo.
E um moço de aparência simplória, com um nome de pé de serra – Siba – é o camareiro de seu salvo-conduto para a impunidade, e fará de tudo para que a sua bandeira – absolver Renan no Conselho de Ética – consagre a sua carreira. Não sei se este Siba é prefixo de sibarita, mas, como seu advogado in pectore, vida de rico ele terá garantida. Cabra bom de tarefa, olhem o jeito sestroso com que ele defende o chefe... É mais realista que o Rei. E do outro lado, o xerife da ditadura militar, que, desde logo, previne: quero absolver Renan.

Que Corregedor!... Que Senado!...Vou reproduzir aqui o que você declarou possuir de bens em 2002 ao TRE. Confira, tem a sua assinatura:

 1) Casa em Brasília, Lago Sul, R$ 800 mil;
2) Apartamento no Edifício Tartana, Ponta Verde, R$ 700 mil;
3) Apartamento no Flat Alvorada, DF, de R$ 100 mil;
4) Casa na Barra de S. Miguel, de R$ 350 mil.

E só.

Você não declarou nenhuma fazenda, nem uma cabeça de gado!!!

Sem levar em conta que seu apartamento no Edifício Tartana vale, na realidade, mais de R$1 milhão, e sua casa na Barra de São Miguel, comprada de um comerciante farmacêutico, vale mais de R$ 2.000.000. Só aí, Renan, você DECLARA POSSUIR UM PATRIMÔNIO DE CERCA DE R$ 5.000.000.

Se você, em 24 anos de mandato, ganhou BRUTOS, R$ 2 milhões, como comprou o resto? E as fazendas, e as rádios, tudo em nome de laranjas?

Que herança moral você deixa para seus descendentes?! Você vai entrar na história de Alagoas como um político desonesto, sem escrúpulos e que trai até a família. Tem certeza de que vale a pena? Uma vez, há poucos anos, perguntei a você como estava o maior latifundiário de Murici. E você respondeu: "Não tenho uma só tarefa de terra. A vocação de agricultor da família é o Olavinho." É verdade, especialmente no verde das mesas de pôquer!

O Brasil inteiro, em sua maioria, pede a sua cassação. Dificilmente você será condenado. Em Brasília, são quase todos cúmplices. Mas olhe no rosto das pessoas na rua, leia direito o que elas pensam, sinta o desprezo que os alagoanos de bem sentem por você e seu comportamento desonesto e mentiroso. Hoje perguntado, o povo fecharia o Congresso. Por causa de gente como você!
Por favor, divulguem pro Brasil inteiro pra ver se o congresso cria vergonha na cara. Os alagoanos agradecem.
                                                                                               Thereza Collor
                                                          (Publicado originalmente no jornal 'Extra', do Rio-RJ)

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A AFLITIVA SITUAÇÃO DO BRASIL

Reinaldo Azevedo (in Folha de São Paulo)

          Ora, vamos fechar o Congresso Nacional?! O que lhes parece? O Poder Legislativo passará a ser exercido por Beatriz Catta Preta, Alberto Youssef e tipos correlatos. Que tal? Se uma advogada diz que desistiu até da carreira porque se sentiu ameaçada por uma convocação para depor na CPI da Petrobras, declaremos o Legislativo do Brasil um Poder criminoso!

            Como boa parte da imprensa não gosta de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, a gente já aproveita e o pendura num guindaste, pelo pescoço, com se faz no Irã. No guindaste ao lado, estará Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Mais ao fundo, igualmente enforcados, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro e Vital do Rêgo, três ministros do TCU que podem recomendar a rejeição das contas do governo. Reinando sobre toda coisa viva, Dilma Rousseff. Mas reinando para quê? Ora, pra nada, como de costume.

         Vocês notaram? Um a um, todos os “inimigos” do Planalto estão na mira, certo? Agora só falta, deixem-me ver, abater uns dois ou três no TSE, que é a outra frente que pode criar constrangimentos para a presidente. E aí estará tudo perfeito.

       Confesso-me algo chocado com a acolhida que teve em certos setores da imprensa a estupefaciente entrevista concedida por Catta Preta ao Jornal Nacional na noite de quinta. Nada contra a coisa em si, claro! Se ela queria falar, o JN deve ouvir. A questão é saber se alguém que apela ao STF para não ter de dar declarações a uma comissão de inquérito — a OAB o fez por ela, eu sei — pode apelar ao programa jornalístico de maior audiência do país para acusar essa mesma comissão de praticar crimes. Ou não foi isso o que ela fez? Ou ela tratava de mero sentimento, assim…, um temor não mais do que subjetivo?

          Agora virou moda. A ordem parece ser mesmo deslegitimar a CPI. Interessa a quem? Antonio Figueiredo Basto, advogado de Alberto Youssef e de Julio Camargo — aquele homem de muitas verdades premiadas —, enviou uma petição ao juiz Sergio Moro pedindo o cancelamento da ida do doleiro a Brasília na semana que vem. A CPI, CORRETAMENTE, DIGA-SE, marcou uma acareação entre ele e Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento. Sabem o que Basto alegou? Que a integridade física do delator estará em risco se isso acontecer.

           Mas Basto não parou por aí. Pela segunda vez, ele voltou a desferir um violento ataque a autoridades do Legislativo — já havia atacado Eduardo Cunha nas alegações finais em favor de Camargo. Está escrito lá:

O seu [da CPI] raio de abrangência não pode se perder, para distorcer o instituto com fins de politicagem de ocasião ou propósitos revanchistas. Nestas circunstâncias, o deslocamento de Alberto Youssef à capital federal compromete sua própria segurança, colocando em xeque sua integridade física e moral!”.

          Doutor Basto diga o que quiser, e não será este jornalista a contestar o direito de defesa — ao contrário: tenho sido atacado por alguns idiotas justamente porque não transijo nisso. Mas eu não reconheço o seu direito de tentar cassar uma prerrogativa do Poder Legislativo. É surrealista o que está em curso.
          Fazendo de conta que a CPI não tem o poder para convocar seu cliente e já se antecipando a uma decisão judicial, Basto avança e diz que Youssef “não vai se submeter ao teatro de horrores de uma CPI notoriamente comprometida com interesses não republicanos, onde os personagens protagonizam uma tragicomédia encenada sob o cenário revanchista de ameaças veladas e vinganças rasteiras”.

           Quais ameaças veladas? Quais vinganças rasteiras? Com a devida vênia, atitudes como essa de Basto e a da doutora Beatriz é que transformam a questão numa chanchada macabra. Sim, existem diferenças entre os depoimentos que precisam ser esclarecidas. Lembro uma: Paulo Roberto diz que Antonio Palocci lhe pediu R$ 2 milhões para a campanha de Dilma em 2010 e que o doleiro liberaria o dinheiro. Este afirma que nunca aconteceu. Um dos dois está mentindo. Quem?

         Que coincidência notável, não é mesmo? Uma a uma, as frentes em que Dilma pode vir a enfrentar problema estão mergulhadas em denúncias e dificuldades. Que se apure tudo, claro! Que se noticie tudo, claro! Mas que se diga tudo, claro!

          Sei o que escrevi, e não retiro uma vírgula de nada. Acho que Eduardo Cunha fez um excelente trabalho na Câmara, e entendo os motivos por que é alvo do ódio do PT e de outros tantos. Se cometeu crimes, que pague! Mas lembro que, inicialmente, integrou a “Lista de Janot” em razão de um depoimento cediço e meio confuso de um policial. Não entendi, então, por que Janot não incluiu a própria Dilma no rol. A explicação que ele deu à época é furada, está demonstrado pela Constituição e pela jurisprudência do Supremo.

          Julio Camargo, ex-cliente de Beatriz e atual cliente de Basto, entrou na história, contra Cunha, bem depois. Até porque, já como delator premiado, negou o pagamento de propina ao deputado. Mais tarde, mudou a versão — e continuo sem saber se ele mentiu para a sua então defensora em algum momento ou se os dois mentiram juntos para a Corte. Pedi a ela que me mandasse uma resposta. Não mandou. A minha dúvida persiste.

        Escrevi na minha coluna na “Folha” de São Paulo”, nesta sexta, que os interlocutores estão desaparecendo. Pululam irresponsáveis por todo canto. Agora, já não se poupam também as instituições na busca desesperada para salvar e cortar cabeças.

         
As ações de intimidação atingem hoje a Câmara, o Senado, o TCU e a CPI da Petrobras. E será preciso resistir. Ou, daqui a pouco, será preciso entregar a “Politeia” aos homens de negro para que, finalmente, a gente possa ter uma ditadura de virtuosos.
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 Copiado por Francisco Miguel de Moura – E-mail recebido 3-8-2015, de Severino Bezerra do Nascimento. A figura que ilustra o texto representa bem "Brasil no Leito de Morte".

quinta-feira, 23 de julho de 2015

COMO SÃO BENS PÚBLICOS E PRIVADOS – HOJE

Francisco Miguel de Moura*        

           “A panaceia política de hoje é a iniciativa privada” - isto eu escrevi há alguns anos, acredito que no governo do Fernando Henrique Cardoso. 

        Mas é preciso entender bem o que é iniciativa privada, o que é capital e como se forma. Precisamos ter sempre presente que não existe um remédio para todos os males. Não é acabando com os bens públicos que vamos consertar o Brasil. Ao contrário, é sabendo administrar esses bens, é criando vergonha - isto que eles, os políticos, não têm. A minoria dos que tem caráter e coerência não apaga as manchas enormes de vícios e crimes daqueles, contra o patrimônio público e do país, tudo pelo egoísmo de ficar rico, gastar à tripa forra, mandar dinheiro para exterior, de praticar o nepotismo. Eu considero o costume da desbragada criação de ministérios, secretarias, enfim, de cargos públicos a torto e a direito, em todas as esferas, como fazem hoje, seja igual ou pior que o nepotismo que os políticos de ontem e de hoje usam. Há também uma ânsia do poder, desonestamente pensada e por isto procurada, de ancorar-se numa lei casuística, para proteger os “pobres” - dizem.  

           Pra não dizerem que só sei falar mal, vou citar exemplos de homens e políticos de caráter, no nosso meio. Celso Barros é um destes. Grande jurista, orador (nosso maior orador vivo), escritor, professor universitário, advogado, foi Deputado Estadual (cassado pela Ditadura de 1964) e Deputado Federal por duas vezes. Ele sabe ganhar dinheiro honestamente e honestamente dispensar as custa daqueles que são pobres, a maioria de nossa população, quando lhe procuram para defesa dos seus direitos.  Lembro que tenho em mãos a revista “Cirandinha” nº. 5, de maio de 1980, em que o Dr. Celso Barros Coelho concede entrevista a mim e ao poeta Rubervam du Nascimento – quando então fazíamos esta publicação. Nosso critério, na mencionada revista, era retratar a situação política e social com a vivacidade e criticar os maiores e menores lances e deslances dos que se diziam condutores da história. A pergunta de Rubervam foi esta: -“Conte-nos como foi o seu ingresso na Universidade, uma vez que sendo professor por concurso, passou tanto tempo sem lecionar lá?” E a resposta do grande Celso Barros, graças a Deus ainda atuante no jornal e na Academia Piauiense de Letras, foi esta: -“Ingressei na Universidade, antiga Faculdade de Direito, por concurso público. Esse direito, porém me foi negado por um Reitor forasteiro – Hélcio Ulhoa Saraiva, contando com a conivência de alguns colegas meus. Em face da violência cometida contra o meu direito, bati às portas da Justiça, para conquistar o lugar que me era devido”.

           Outro que posso citar é Hugo Napoleão, político honesto e dinâmico, que foi Governador, Deputado, Senador e Ministro. Ele disse, certa vez, da tribuna da Assembléia Legislativa: “As pessoas dizem, sem conhecimento de causa, que os políticos entram pobres na política e saem ricos, o contrário do que aconteceu comigo - pois gasto nela tudo que tenho e ganho e não pretendo nem vejo a política como um meio de enriquecimento, mas uma maneira de servir bem ao país e à comunidade”.

            Registro que homens como Celso Barros e Hugo Napoleão, são logo expulsos da política pelas manhosas safadezas e iniquidades da maioria dos partidos e de seus dirigentes, que vivem pulando de galho em galho até alcançar as graças do chefão ou da chefona do momento.

           Bens públicos e privados são muito distintos. Como uma espécie de diálogo, já que não tenho competência para a explicitação didática, continuo esclarecendo que nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, o Estado, neste século XXI, entrou de cheio a investir em determinados setores onde a iniciativa privada havia fracassado. Se esperavam que a empresa privada fizesse milagres, não sei. A empresa pública também não faz, não pode, não deve fazer milagres. Assim como a aliança de uma com a outra dá em corrupção, propina, ladroagem grande, como está acontecendo na nossa PETROBRÁS. Se o Estado fizer ou disser que está fazendo milagres, certamente está  iludindo a população, os cidadãos pagadores de impostos e reais feitores da história, embora não figurem na galeria dos eleitos. 

            O que faz o progresso é a honestidade, os bons costumes, a observância das leis quer pelos que estão do lado dos bens privados, quer pelos que foram eleitos pelo cidadão – conscientemente ou não. Mas se o eleitor não vota consciente, é falta de informação, de estudo, de educação, de leitura, muita coisa que começa na família (entidade privada) e termina (ou prossegue) na sociedade. E a culpa maior é do Estado (bem público). 

        Certo é não privatizar demais, nem o que não deve: segurança, saúde, previdência. Nem interferir na imprensa especialmente. Imprensa censurada é sinônimo de ditadura. A Argentina e a Venezuela sofrem disto. Há  cargos estratégicos do governo, numa democracia, que simplesmente não podem ser extintos nem privatizados.  Urgente é sanar os defeitos administrativos, punir os maus administradores, os maus políticos, isto sim. Privatizar não é urgente. Urgente é administrar bem, seja no Congresso, seja na Presidência da República, seja na Justiça, que protege a Constituição e as demais leis.  

      Normalmente, os desmandos administrativos decorrem da política. E, como vemos, agora os administradores de empresas privadas estão tendo o poder de corromper os políticos chamados representantes do povo e vice-versa: os maus políticos, e principalmente eles, corrompem a empresa privada. Tudo errado em nosso país como social-democracia que é ou diz deseja ser!

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Francisco Miguel de Moura – Escritor, poeta,  membro da Academia Piauiense de Letras, publica aos sábados, no Jornal "O Dia. E-mail: franciscomigueldemoura@gmail.com           

segunda-feira, 11 de maio de 2015

LITERTURA E POLÍTICA - O BRASIL VAZIO

Francisco Miguel de Moura* 
Escritor, membro da APL

Estamos nadando no vazio do “ser”: Ninguém sabe mais quem é criatura e quem é criador, o fim ou o começo. Ninguém distingue mais o bem do mal. O mundo virou de perna para o ar, em todos os sentidos, o crer, o dizer, o fazer. Em todos os setores da sociedade, o que era ético virou aético, o que era bom ficou mau. A arte virou uma tolice: figuras, traços em movimento que se apagam de um dia para o outro. A observação e a crítica social calaram-se por falta de algo que ainda não sabemos. Hoje, a quase totalidade dos romances são autobiografias. Ou, então, simplesmente bobagens biográficas. O jornalismo de encomenda, sobre artistas de tevê e da politicalha, da politicagem; virou pastagem que engorda leitores sociais. Não há mais história criada, folclórica ou não, não há mais contos, só há alguns cronistas pela graça de Deus. Quer ter a comprovação, entre numa livraria e peça: - Um livro de crônicas, tem? Resposta: - Não tem. Ou um romance recente, de brasileiro, tem? A mesma resposta: Não tem.

Mas há montes de best-sellers espalhados e empilhados nos balcões e prateleiras, só que de vampiros ou bonecos de vídeo-game, ou então biografias de artistas mortos recentemente, memórias de artistas vivos, principalmente se internacionais. Literatura mesmo é que não há. Estamos no vazio. A arte é garatuja que os pivetes drogados fazem, à noite, nas paredes limpas das ruas. Onde a arte? Onde o bom gosto? E na música? Que horror!  Acaba com os nossos ouvidos e o nosso bom senso. Será que chegamos ao fim?

Voltando à arte literária, à poesia que é o romance: Nenhum autor quer escrever romance, nem mesmo experimental. Não há leitores. Ninguém tem tempo para ler um poema sequer. Como vai senti-lo, entender? Já se cansou dos que as propagandas oferecem, em frases cortadas... O tempo é para o “what-sat” e para os programas mais idiotas da tevê, os filmes mais estrondosos do cinema em 3D.
Na política e na economia, ninguém mais ouviu falar, com segurança, que Fulano é sério! O gaiato poderá dizer de lá: - “Só se for um Sicrano”, sem saber nem o que significa. Inocentemente, eu respondo: Pode ser que o Beltrano... Palavras ocas!

    O jornalista Diego Casagrande foi explícito, no seu artigo “Somos brasileiros apátridas”, porque “talvez poucos lugares do mundo tenham políticos tão oportunistas, despreparados e desconectados da realidade quanto o Brasil”.

          É isto aí, Diego, ganhou foro o oportunismo em tudo que falamos ou escrevemos; nas artes, nas letras, na política. Ninguém acredita mais em ninguém, ninguém confia mais em ninguém nem em nada. E ainda há alguém, quando ouve outro apelar para Deus, que fica murmurando: “nem ele dá mais jeito”.

           “A sensação que tenho é que nestes 25 anos que acompanho a política brasileira, ela está pior, muito pior. Foram abertas as comportas da mediocridade”, repetindo Diego Casagrande.

           Se se fizer uma análise geral, criteriosa, dos políticos brasileiros de hoje, chegaremos à triste conclusão: - Qualquer um que milite a partir das Câmaras de Vereadores, passando pelas Assembléias Legislativas até chegar-se ao Congresso, nenhum deles foi bom estudante, nem certamente são bom pai de família, bom profissional. Chegaram lá por incompetência, por não saber fazer nada de bom, em qualquer setor. E eles é que nos representam. É o cúmulo!

        Se começarmos pela “presidenta”, foi “incompetenta” para o comércio, pois a única profissão que experimentou foi a de dona de uma lojinha de R$1,99 e terminou indo à falência. Como estudante pegou em amas, foi presa, não sei se torturada, na Ditadura Militar (mas está torturando o país). Pensava em transformar o Brasil numa União Soviética. Agora quer que sejamos cubanos como Fidel Castro. Tem ódio dos Estados Unidos. Apóia todos os ditadores latino-americanos e africanos. Tentou acabar com a miséria no Brasil e fez foi aumentá-la, ela junto com Lula. Eles não têm vergonha de sorrir para os brasileiros fazendo o que fizeram: o mensalão e o petrolão, sem falar nas obras inacabadas e nas que nem começaram (mas o dinheiro do orçamento desapareceu). Um país que se quer progressista, rumo ao futuro, esmera-se na educação de seu povo. E o que foi que eles fizeram, os dois, Lula e sua pupila Dilma? Está aí para quem tem olhos para ver. 

        A situação brasileira é tão ruim que não há PT, nem CUT nem MST que façam nada que possam sustentá-los no poder além deste mandato, mesmo pegando em armas como já sussurrou o Lula. O que vem depois, ninguém sabe. Mas pior não pode ser. As leis que estão sendo reformuladas ou feitas às pressas, até agora, não têm a aprovação dos brasileiros. Não se fazem leis para tapar buracos do orçamento: ou os donos do poder executivo dão o fora, ou o buraco está aberto e continuará aberto. O povo brasileiro sofre, do pequeno ao grande, com uma inflação sem tamanho, sem esperança de melhora; com juros mais altos que os foguetes das naves espaciais que sobem para pesquisar outros planetas e astros.

    O país regrediu meio século ou mais. Vejamos a insegurança dos cidadãos. E ainda diz o governo que é para proteger os direitos humanos. Que direitos humanos? Dos assassinos e latrocidas? Dos falsários e propineiros?  Só se for o deles, dos que, apropriando-se dos cargos públicos, geriram tão mal, surrupiaram os cofres públicos e levaram para o exterior fortunas e mais fortunas, em nome de outras pessoas...  Estamos nadando no vazio. Triste Brasil! Triste povo!

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*Meu email: franciscomigueldemoura@gmail.com - Escritor piauiense, mora em Teresina - PI.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

A CULPA É DO MAU USO DO DINHEIRO PÚBLICO


Francisco Miguel de Moura – escritor e
membro da Academia Piauiense de Letras

          Quando falo contra o PT, o socialismo caboclo (América Latina) e o comunismo (que não deu certo na Rússia, nem em Cuba nem e em lugar nenhum) pensam que sou um idiota, não estou atualizado com a melhor literatura sobre Economia Política. E pensam mal. Leiam-me até o fim. Na América Latina, todos os ditadores e pregadores do socialismo já devem ir procurando sair de cena, ou então seus países vão para a bancarrota, se é que já não estão nesse estado horrível perante a comunidade mundial. Nem nacionalismo, nem comunismo, nem capitalismo, mas um socialismo mitigado, bem governado, democrático é o de que precisamos.
No Brasil, há muito tempo que o PT devia ter saído de cena. Infelizmente ele corrompeu a massa de pobres desvalidos brasileiros, com bolsas famílias e míseros reais no dia das eleições para ficarem com o voto. Coitados! Os enganados não são culpados. São vítimas daqueles que, em recebendo o Estado em ótimo estado, das mãos do Presidente Fernando Henrique Cardoso, hoje acusado de tudo, não sendo mencionando, entretanto, que ele acabou com a inflação no país, oferecendo ótimas condições aos brasileiros de modo geral para seguirem aquilo que seria o nosso destino: - Viver bem, num país que foi dotado pela natureza, como bem canta o nosso Hino Nacional. Infelizmente, esse destino foi cortado pelo Lula/Dilma com a camarilha do seu PT e sindicalistas.
De quem é a culpa dessa inflação, superinflação, que não fizemos, mas a sofremos, amarguradamente? Inflação é um imposto que atinge todo mundo; não só atinge os burgueses não, atinge a mais baixa pobreza. Não se iludam, é isto mesmo. De quem é a culpa de a nossa educação pública estar falida? De quem é a culpa se as drogas correm à solta e chegam até à escola? De quem é a culpa de a segurança do brasileiro ter chegado a zero? Ou pior, se puder ser, digamos que a um estado de guerra civil com os ingredientes de terrorismo e preconceitos em todos os sentidos e em todo o território nacional? Cada lei e decreto que fazem mais aumentam os males que dizem querer combater. De quem é a culpa, se o povo não tem como transitar de casa para o emprego e vice-versa, ou para fazer um trabalho distante de onde mora, enfim transportar-se sem atropelos e atrasos? De quem é a culpa desta situação de miséria da quase total descaracterização do que seja transporte do povo? De quem é a culpa, se a nossa indústria,  até bem pouco florescente, está “quebrada” por causa da imensidade e desorganização das leis, por causa do absurdo dos impostos e dos juros de cada dia? De quem é a culpa se a cada dia há menos oferta de emprego? De quem é a culpa se não há mais nenhum respeito pela vida e propriedade privada, se os vândalos e desempregados queimam e derrubam à noite o que foi construído durante anos e anos de trabalho?  De quem é a culpa de o Brasil estar falido, agora, obrigando-se a viver e conviver com os mesmos que cometeram os maiores crimes de corrupção: o “Mensalão”, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, e, agora continua com o “Petrolão”, sendo mostrado pela Polícia Federal e o Ministério Público – dois dos maiores escândalo para nós e para o mundo?
Useiro e vezeiro em mentir e iludir, para sair-se bem, para ser divulgado pela mídia, o Partido que nasceu da Revolução de 1964 (Ditadura dos Generais), infelizmente sentou-se no átrio do poder e mostrou a cara suja que encobria: nem é partido de trabalhador, nem é dos pobres nem é partido de nada, é o partido de uns poucos “inteligentes” intelectuais que, no meio de tanta miséria, não quer dar o braço a torcer e dizer como eu digo: Eu errei em ter confiado no PT, em ter votado no PT. Diz uma canção carnavalesca que “a água lava, lava tudo/só não lava boca dessa gente” – e é desse carnaval que eles estão gostando, talvez cantando, para consolo, nos seus momentos de solilóquios.  Péssimo consolo! Mas eu e uma grande maioria dos brasileiros acreditamos que não há água que lave a sujeira do PT e seus governos neste país.  Não há porque os rios, lagoas, açudes e mares estão todos poluídos. Não há, porque, do que foi sonegado, furtado, surrupiado, escondido, mandado para bancos no exterior, gasto em outras atividades ilegais e compra de bens que ninguém sabe, tudo seria quase impossível ser devolvido. Se houvesse a devolução de um quarto do dinheiro da corrupção talvez fosse suficiente para o país sair da miséria imediatamente.
Mas o que os brasileiros querem mesmo, segundo as manifestações de rua, é que eles nos entreguem a massa falida e vão-se para onde merecem: o ostracismo, ser uma oposição desacreditada por muito tempo. Pois o PT outrora servia como oposição, mas, caindo do poder, não vai servir mais pra nada,  será um partidinho sem futuro. E ainda tem gente ”alta” enganada, pensando que minhas palavras sejam apenas palavras de um alienado. Porque, no Brasil de hoje, só há duas categorias: aliados ou alienados. Democracia anda longe de ser isto, muito longe. Muitos petistas se apegam a Max, o qual achava que “se um produto tem determinado valor, é moralmente imperativo que o trabalhador seja recompensado no mesmo nível do valor daquilo que produziu”, quando modernamente está mais que pensado e provado, segundo professor e escritor Ludwing Von Mises, que desde 1920, o bom modelo não apenas pergunta: “Quanto vale a mercadoria”? Mas, também “para quem, em que momento, em que contexto e em relação a que outros produtos”? Está em “O livro politicamente incorreto da esquerda e do socialismo”, Agir, Rio, 2013. É a lei do mercado. E sem mercado não há democracia, não há trabalhador, não há produto, não há trabalho. Haverá, sim, um mundo morto, petrificado de tiranias.
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Francisco Miguel de Moura, postou a matéria acima, a ser publicada amanhã no jornal "O DIA", Teresina - PI,

sábado, 11 de abril de 2015

NEPOTISMO E FAVORECIMENTO, QUAL A DIFERENÇA?

Francisco Miguel de Moura *
     



Lutar contra o nepotismo é lutar contra a natureza humana. Os pais defendem os filhos, filhos defendem os filhos dos filhos e por aí vai. Se a civilização é feita do encontro e mistura de famílias, é muito difícil esperar que não aconteçam nepotismo e favorecimento. Certa vez numa repartição, o gestor se desculpa por ter usado um “nepotismozinho”.
         - Não se incomode não, meu caro, no Brasil, nepotismo não é exceção, mas regra – eu disse. E ele silenciou.
         Explicando, nepotismo é um termo utilizado para designar o favorecimento de parentes ou amigos próximos em detrimento de pessoas mais qualificadas, geralmente no que diz respeito à nomeação ou elevação de cargos. Tem origem no latim “nepus”, que significa sobrinho, descendente. Originalmente o termo era usado no âmbito das relações do Papa com seus parentes, na época em que a Igreja Católica dominava a Europa. E, segundo os historiadores, na Idade Medida, dois terços das terras do continente, especialmente as áreas cultiváveis, pertenciam ao Papado. Por esse motivo, o Dicionário Houaiss identifica um “nepote” como "sobrinho do sumo pontífice" ou "conselheiro papal".
        O sentido da palavra se foi modificando com o passar do tempo. Vieram os reinados, e os reis e imperadores fizeram o mesmo que os Papas romanos: nomeavam seus sobrinhos, primos, parentes, irmãos, filhos, mulheres como sucessores. Aliás, o reinado nada mais é do que a passagem do poder à própria família do rei.
       Atualmente é utilizado como sinônimo da concessão de privilégios ou cargos a parentes no funcionalismo público. Nepotismo é mais do que favorecimento, porque fortifica o poder, unifica o poder, tanto no imperialismo quanto nos regimes republicanos. Já no favoritismo não se encontram as relações de parentesco com o favorecido; muitas vezes ele se mistura com a política, para então gerar a corrupção e todos os males daí advindos. Neste caso, costumam juntarem-se as duas formas: o nepotismo e o favoritismo. O nepotismo é um favoritismo sem mérito, e favoritismo é um nepotismo sem parentesco. Apura-se o mérito pelos concursos bem feitos, e isto só acontece nas democracias plenas, que são pouquíssimas.
        Mas é preciso esclarecer que existe também o chamado nepotismo cruzado, que é a troca de parentes entre agentes públicos para que tais parentes sejam contratados diretamente, sem concurso. Favoritismo cruzado também é o ajuste mediante designações recíprocas, ou seja, a nomeação, daqueles relacionados, que sejam parentes de autoridade, por outra autoridade do mesmo ente federativo. “É importante mencionar que o nepotismo não constitui um ato criminoso”, diz-me um beletrista (encontrei-o com esta frase, na internet). Para mim, nepotismo é crime, sim, especialmente quando é praticado de forma intencional. De toda forma, o servidor público ficará sujeito a uma ação civil pública por improbidade administrativa. Sendo confirmada uma ação judicial, o servidor público poderá ter que ressarcir integralmente o dano público causado e também perder o cargo e os direitos políticos durante um prazo de três a cinco anos.
            O nepotismo é uma afronta à profissionalização da gestão, porque alguém que tem poder político dificilmente avaliará com imparcialidade o trabalho de uma pessoa que pertence à sua família. O artigo 37 da Constituição Federal refere que as contratações de funcionários para cargos públicos devem cumprir os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Este artigo revela então que o nepotismo é uma prática anticonstitucional.
             O Supremo Tribunal Federal possui também a 13ª Súmula Vinculante, aprovada em 21 de agosto de 2008, onde o nepotismo é proibido nos Três Poderes: federal, estadual e municipal, cuja súmula prevê e proíbe igualmente o nepotismo cruzado.
           Não obstante as leis, os costumes não mudaram ou mudaram muito pouco. No Brasil, o nepotismo corre frouxo de sul a norte, de leste a o este. Não precisa ir longe. Basta observar em cada eleição, em cada administração municipal, principalmente, mas nas outras áreas também.
            O caso mais patente, gritante mesmo, é do escritor e senador José Sarney. Segundo um jornal humorístico, o senador teria dito que “deixaria de escrever, caso ganhasse o Prêmio Nobel de Literatura”. A frase deve ter sido dita num momento em que lhe criticavam abertamente pelo seu primeiro livro “Marimbondos de Fogo”.
            Dir-se-á que Sarney, como senador é um ótimo ficcionista: emprega sua ficção em toda a família. O costume pegou e assim aconteceu. Ou já vinha de seus pais? Então, seu uso do nepotismo é avoengo. Ele é mestre, aprendeu com a Ditadura Militar, continuou na meia democracia de Color a Fernando Henrique e aperfeiçoou-se com a longa Ditadura do PT. Seria ridículo, se não fosse trágico o último caso de nepotismo do Sarney.  Trata-se da nomeação do estudante João Fernando Michels Gonçalves Sarney, filho de Fernando Sarney, o primogênito do Senador, como funcionário do Senado, onde passou 18 meses dependurado na folha de pagamento, recebendo salário. Após uma denúncia e em seguida por decisão do Supremo Tribunal Federal o rapaz foi demitido. Mas um mês depois a mãe do dito rapaz foi nomeada para a vaga.
           Parafraseando o poeta Carlos Drummond de Andrade: “lutar contra o nepotismo / é a luta mais vã / no entanto, lutamos / mal rompe a manhã”.   

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  *Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras, e-mail: franciscomigueldemoura@gmail.com

quarta-feira, 1 de abril de 2015

DONA ALZAIR NOS CAMINHOS DE JOSÉ LOPES DOS SANTOS

Francisco Miguel de Moura 
Escritor, membro
da Academia Piauiense de Letras*

         José Lopes dos Santos, muita gente conheceu e conviveu com ele. Membro da Academia Piauiense de Letras, cronista, jornalista, radialista, musicista, advogado, político, funcionário público, foi um homem dos 7 instrumentos, como falou Zózimo Tavares, na excelente apresentação do livro “Caminhos & vivências”, escrito pela funcionária dos Correios e Telégrafos e professora Da. Alzair Fernandes, nascida em 05-02-1927, em Miguel Alves-PI, e em plena força para escrever tão bem.
        Pessoas de fé e muita educação, os dois: o acadêmico e a escritora Alzair Fernandes. Vejamos quem ela escolheu para gravar numa biografia, um memorial de sua vida e vivencias: – José Lopes dos Santos, um cavalheiro, um verdadeiro “gentleman”.
        José Lopes serviu a vários governos, de várias correntes partidárias, em diversas ocasiões, através de cargos de confiança, e de todos recebeu grandes elogios. Antes tinha sido Prefeito de São Miguel do Tapuio–PI, cujo fato aconteceu: a) - primeiro, por conta de sua amizade com Manoel Evaristo, o chefe do lugar; b) por sua competência, sinceridade e honrado cavalheirismo, além da amizade nunca estremecida com aquele que era o principal chefe da oposição a tudo quanto existia de poder, na cidade de São Miguel do Tapuio, Manoel Evaristo.  José Lopes dos Santos foi nascido no Ceará, mas crescido e renascido no Piauí. Comandante e comandado foram vitoriosos naquela eleição.
       Sra. D. Alzair Fernandes, não se preocupe se muito falamos sobre José Lopes dos Santos. Acontece sempre assim com o biografado e o biógrafo. Aconteceu comigo quando publiquei “Linguagem e Comunicação em O. G. Rego de Carvalho”: - Ainda hoje me procuram para que dê entrevistas falando sobre O. G. Rego e sua obra. Isto, para nós, é a glória. Você se tornará conhecida e admirada aos poucos, o tempo foi bom com você por ter sido a biógrafa de José Lopes dos Santos. Ninguém estaria mais capacitada para o empreendimento, em virtude da bela convivência, da paciência e da memória para guardar as conversas, os fatos, a leituras da obra dele, um homem de moral ilibada, um cidadão que criou uma família com sacrifício psicológico grande por serem adotados.
       Minha mãe já dizia: “Meu filho, acompanha-te com os bons e serás como eles; acompanha-te com os maus e será pior do que eles”. Seu conhecimento sentimental e autêntico de como foi a vida de José Lopes dos Santos, como falava, como escrevia, como se comportava com os amigos (porque, inimigos, não acredito que os tivesse) aplainou os seus caminhos, fez você produzir esta obra tão simples quanto vocês dois: o homenageado e a homenageante. Simples nunca foi depreciativo. Simples é bom. Existe gente que toma simples por fraco, dispensável, porque não abriu as portas da própria percepção. Segundo o poeta inglês William Blake: “SE AS PORTAS DA NOSSA PERCEPÇÃO FOSSEM LIMPAS, TUDO APARECERIA AO HOMEM TAL COMO REALMENTE É: INFINITO”.
         Nós e as nossas obras somos infinitos, especialmente quando temos sonhos, fé e acreditamos em Deus: A escritora Alzair Fernandes é imortal, não somente porque abriu as portas da percepção ao imortal da Academia Piauiense de Letras, esta Casa de luminares. Você abriu suas portas a tantas outras boas coisas da vida.
         Nós somos o tempo. “O que existiu, há sempre de existir”, é o fecho, a chave de ouro de um dos meus sonetos. Este pensamento, eu não retiro. Pois ele casa tão bem, isto é, se ajusta ao pensamento do poeta William Blake, citado antes.
         A bondade, a beleza, a justiça, a generosidade, a amizade são infinitos quando nós somos bons. E é sendo bons que vamos nos tornando infinitos, ou eternos, como queiram.
        “Quem é bom já nasce feito / quem quer se fazer não pode / ainda que encubra as faltas / no mesmo tempo descobre”- são versos que minha mãe me recitava. E eles me fizeram filosofar como Dona Alzair, no seu livro:
        “A independência do homem é utópica” (pg.14).
         Isto quer dizer que o homem é bom ou mau, intrinsecamente. Os intermediários são remédios sociais que não garantem para sempre. Porque os bons são bons infinitamente. E os maus, coitados, são maus infinitamente, já disse num artigo e aqui repito.
         Agora me deu vontade de citar a frase de D. Avelar, no meio da “Oração por um dia feliz”, quando o cantor Marco Antônio morreu: “É bom ser bom”. Quem duvida?
         Todos nós dependemos de Deus, somos parte de Deus, deveríamos ser bons. Aí me vem “a teoria dos contrastes” de que falava José Lopes dos Santos e você lembra no seu livro. Mas a parte jamais chegará ao todo: são os mistérios a que não chegamos como entes transformáveis e não tanto transformadores.
         Tenhamos fé, tenhamos crença e esperança, como Alzair Fernandes, como José Lopes dos Santos, ambos homenageados hoje, e teremos o infinito bem em nosso favor.
          Parafraseando o poeta Fernando Pessoa, Dona Alzair, eu afirmo: Seu livro é bom de ler, é um verdadeiro poema de simplicidade e amor, e mais que ocasião para que o leitor abra as portas da percepção.
          Sua prosa é escorreita, quero dizer; ela é tão corrente como um rio de águas claras. Que mais posso dizer? 
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* Estas palavras foram lidas, por Francisco Miguel de Moura, no Auditória da Academia Piauiense de Letras, em 28-3-2015,  quando autora de "Caminhos & Vivencias", espécie de biografia de José Lopes dos Santos, membro da APL, falecido já há algum tempo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A BRINCADEIRA MAIS SÉRIA? - POESIA

 Francisco Miguel de Moura*

Não tenho vergonha de dizer que faço versos nem como os faço. 

Todo dia a minha antena funciona: emoção diante da vida ou dos próprios pensamentos, a cota de anos, de dias, de sacrifícios, de prazeres e virtudes, enganos e erros. E ainda topamos com as perplexidades diante das variações do Imposto de Renda e da situação financeira, ou da política – esta porcaria que nos procura diariamente, desde o nosso próprio emprego até o nosso salário e o dos filhos. E estes continuam sempre nossos filhos pelo amor e pela pior situação econômico-financeira do que nós, uma prova de que o mundo vem piorando e, com ele, nosso Brasil. É aqui que se faz crítica em poesia. Entram em ação as paródias e os epigramas, a sátira a permear as imagens de nossa linguagem, cuja forma pode ser soneto, trova, haicai, balada, poema livre etc. É preciso ter cuidado para que o dia-a-dia não se banalize em nossa letra poética. A linguagem da poesia é diferente. Se você quer escrever um artigo é só usar as palavras e frases comuns. Se quer fazer uma confissão, da mesma forma. Não importa que aquele seja no tom sarcástico e este no sentimental, individual.

Não posso ficar com a frescura de dizer que sou um bom poeta, daqueles que o verso/poema/canto salta da cuca e vai direto para a pauta do papel pela esferográfica como criança que nasce de parto normal e de mãe sadia. Tenho minhas pequenas e grandes dificuldades. Elejo temas que continua a glosar em todas as poesias de uma fase. Começo poema que nunca termino, por medo ou incapacidade, não importa. Acompanho os passos de meus poemas, monto-os e os desmonto ao belprazer de minha brincadeira intelectual com as palavras. É assim que se arma uma brincadeira.  É assim que se faz poesia também: brincando. Certa vez brinquei de trabalhar um poema e consegui cerca de 10 diferentes formas, evocando o mesmo tema. Não faz muito tempo, foi quando eu e o poeta Hardi Filho construíamos o nosso livro “Tempo Contra Tempo”, editado em parceria, que continua fazendo sucesso de crítica e de leitores.  Ontem o fato se repetiu, agora com uma poesia que nem sei se vou publicar. Goza de mim, leitor? Pois é. E não faço bazófia. Se for riqueza, é apenas de autocrítica. Talvez defesa. Não tenho grande memória, supro-a com a fertilidade da imaginação, com o trabalho, com o suor do rosto. Anotações mais anotações. Depois, o poema lírico sai das comportas do “eu”, como sabemos, e a forma é que deve universalizá-lo por metáforas surpreendentes, não aquelas já velhas e surradas, catacréticas e cheias de cataratas que obstruem a visão do leitor.

Sofrer? O poeta é sofrimento e alegria, quase parodiando Fernando Pessoa, em seu “o poeta é um fingidor”. Mas compreendamos.  A inteligência pode ser a comum, a que tenho. Depois que o homem inventou a Enciclopédia, o Dicionário, o Computador, sem falar no disco, na gravação, no papel em branco, na tinta e na caneta – o coração e a cabeça devem ficar disponíveis para o amor e o balanço (da dança, da rede ou da mão quando escreve), para que a inspiração corra livre e desimpedida durante o dia. Eu caminho, fora e dentro de casa, e caminhando me encho de “inspiração”.  A noite é insondável para a poesia, como a morte. Se uma coisa puxa a outra, digo que meu trabalho “artesanal” segue noite adentro, em busca da melhor forma, do melhor som, da melhor cor – o poema tem cor, podem crer. É a imagem em metáfora ou metonímia, em comparação ou por oposição, correndo para fixar-se em letra de forma, em companhia com o senhor já insondável conteúdo, a mudar de roupa e a querer parecer outra coisa que não ele – sendo ele mesmo. Contexto vivo e palpitante, e nele, a poesia necessária como ar que se respira.
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*Francisco Miguel de Moura, poeta com quase 40 obras, das quais metade é poesia, está com o seu livro "POESIA IN COMPLETA", REVISTO E AUMENTADO - 2ª Edição, pronto para publicação, contendo mais de 700 poemas (métrica livre e sonetos). Mora em Teresina, PI. E-mail para correspondência virtual: franciscomigueldemoura@gmail.com

terça-feira, 21 de outubro de 2014

DOUTORES DA ALMA


 Por Paulo Briguet

  Paulo  Briguet - o 1º à esquerda







Ao longo da história, uma fascinante galeria de escritores e personagens mantém viva a relação entre medicina e literatura.

Diz a lenda que Balzac, no leito de morte, pediu a presença de um médico: “Só Bianchon poderia me salvar!” Mas o Dr. Bianchon não existia na vida real; era um personagem de “A Comédia Humana”.

A relação entre medicina e literatura tem raízes profundas no tempo. Não por acaso, o conjunto de relatos sobre a ciência da cura leva o nome de “literatura médica”. Talvez se pudesse falar não de uma simples relação, mas de uma autêntica irmandade entre os médicos e os escritores – até porque ambos, nos momentos decisivos de seu trabalho, percorrem os extremos da vida e morte.

A medicina nasceu do curandeirismo religioso, mais tarde foi considerada uma arte e, nos tempos modernos, vinculou-se à ciência. Mas nunca se afastou de sua irmã, a literatura. Se a palavra “médico” tem origem na mediação entre o humano e o divino, o mesmo se poderia dizer da poesia, da ficção, do ensaio, da escrita literária. Continuamos a consultar um bom livro assim como procuramos um bom médico na hora da doença.
Como esquecer Yuri Jivago, o médico poeta que passa pelas tormentas da Revolução Russa em busca de seu amor? “Doutor Jivago”, de Boris Pasternak, é o clássico de uma civilização doente da alma. Doença que teve seus primeiros sintomas no radicalismo político de Yevgeny Bazárov, o jovem doutor que tenta curar o mundo e acaba se autodestruindo em “Pais e Filhos”, romance de Ivan Turguêniev. É curioso que os russos Pasternak e Turguêniev, mesmo não sendo médicos, tenham escolhido a mesma profissão para os personagens centrais de seus mais famosos romances.

“O estranho caso de dr. Jekyll e mr. Hyde”, do escocês Robert Louis Stevenson, publicado em 1886, mostra a dicotomia do bem e mal presentes no espírito humano. A novela, mais conhecida pelo título “O Médico e o Monstro”, pode ser definida como a descrição de um caso patológico em que um homem utiliza irrefletidamente os recursos da ciência e acaba despertando incontroláveis impulsos de morte. O mesmo acontece com o Dr. Simão Bacamarte, psiquiatra da novela “O Alienista”. Em sua busca pela sanidade mental coletiva, o personagem de Machado de Assis transforma a cidade de Itaguaí em um hospício e acaba por descobrir que é o verdadeiro louco da história.

Mas falemos dos médicos diplomados, que existiram na vida real. Dr. João Guimarães Rosa percorreu as fazendas e povoados do Sertão brasileiro conversando com as pessoas e observando de perto os dramas da vida. Numa dessas andanças, deve ter encontrado alguém parecido com Miguilim, o menino da novela “Campo Geral” que passa a enxergar o mundo de outra maneira depois de colocar os óculos do doutor. Dr. Pedro Nava foi o maior memorialista brasileiro. Com seu olho clínico, deixou-nos obras-primas como “Baú de Ossos”, “Balão Cativo” e “O Círio Perfeito”.
Dr. São Lucas, padroeiro da medicina, reflete uma nova visão do universo em sua narrativa segura e poética no Evangelho que leva seu nome e no Livro dos Atos. Sua grande fonte inspiradora foi Maria, a Mãe de Jesus, aquela que o poeta T. S. Eliot (não médico) define em certa altura dos “Quatro Quartetos” como a cirurgiã da humanidade.

O francês Céline, codinome do Dr. Louis-Ferdinand Destouches, padeceu de uma das piores doenças morais de nosso tempo: o antissemitismo. Era, no entanto, considerado por seus pacientes um médico sereno e consciencioso. Felizmente, o fantasma da sua hediondez ideológica não compromete a genialidade de suas duas obras-primas, os romances “Viagem ao fim da noite” e “Morte a crédito”.
Dr. William Somerset Maugham legou-nos um grande romance: “Servidão Humana”. O autor inglês formou-se em medicina, mas trocou a carreira médica pela literatura. Em “Servidão Humana”, descreve a paixão de um jovem doutor por uma mulher de caráter perverso, e sua guerra para obter a libertação com o trabalho e a humildade. A obra tem fortes elementos autobiográficos.
Quando se pensou em dar um Nobel ao Dr. Sigmund Freud, a Academia Sueca ficou na dúvida entre os prêmios de Literatura e Medicina. O médico austríaco, criador da psicanálise, acabou não ganhando nenhum Nobel, mas deixou uma obra de grande valor literário. “Psicopatologia da vida cotidiana” é um delicioso e bem-humorado livro sobre as falhas e enganos que cometemos em nosso dia a dia. “O mal-estar da civilização” descreve a patologia social do totalitarismo. E “A Interpretação dos Sonhos” é um livro escrito com uma argúcia digna de José, personagem do Antigo Testamento. Freud considerava-se um homem de ciência, mas acima de tudo foi um grande escritor. Como também foi um grande escritor o Dr. Viktor Frankl, sobrevivente do nazismo que desenvolveu a escola psicanalítica da logoterapia a partir de suas experiências no campo de concentração. Dr. Oliver Sacks é exemplo de autor contemporâneo que transforma suas experiências clínicas em boa literatura.
Naturalmente, a experiência pessoal é um divisor de águas entre a medicina e a literatura. Nos anos 40, o americano Walker Percy estava para se formar em medicina quando teve diagnosticada uma tuberculose. No período de internação, leu obras de Dostoiévski (filho de médico), Jaspers (médico), Heidegger, Camus e Kierkegaard. Converteu-se ao catolicismo e deixou belos romances como “A Segunda Vinda”.

No Brasil, terra do romancista José Geraldo Vieira e do contista Moacyr Scliar, devemos um agradecimento especial a um médico que jamais exerceu a profissão: Manuel Antônio de Almeida. E o agradecimento se deve a dois motivos. Além de escrever o romance “Memórias de um Sargento de Milícias”, magnífica descrição do Rio de Janeiro antigo, Almeida ajudou bastante, no início da carreira, o jovem e talentoso Joaquim Maria Machado de Assis, dando-lhe um emprego na Tipografia Nacional.

Não poderia encerrar este artigo sem mencionar o meu médico-escritor preferido: o russo Anton Tchekhov, genial contista e dramaturgo que viveu apenas 44 anos. Sempre converso sobre Tchekhov com meu amigo e cardiologista Marco Antonio Fabiani, fiel tchekhoviano que escreve contos sobre o velho Norte do Paraná. Fechemos o texto com uma bela frase Dr. Tchekhov: “Não me diga que a Lua está brilhando; mostre-me o seu reflexo em um caco de vidro”.

“A única coisa que um homem pode fazer à sua vida é medi-la. Se o pudermos medir, torna-se uma verdade. Assim na ciência. Assim na poesia. Assim na vida.” (William Carlos Williams, poeta e médico americano)
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*Enviado por e-mail, pelo médico e poeta Dr. Gisleno Feitosa
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