segunda-feira, 4 de agosto de 2014
SOLICITAÇÃO DE TOMBAMENTO - CARTA
domingo, 18 de setembro de 2011
RILKE - CARTAS A UM JOVEM POETA
Sua carta alcançou-me apenas há poucos dias. Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal-entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizívies quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte, — seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera.
Depois de feito este reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria, somente acenos discretos e velados de personalidade. É o que sinto com a maior clareza no último poema Minha alma. Aí, algo de peculiar procura expressão e forma. No belo poema A Leopardi talvez uma espécie de parentesco com esse grande solitário esteja apontando. No entanto, as poesias nada têm ainda de próprio e de independente, nem mesmo a última, nem mesmo a dirigida a Leopardi. Sua amável carta que as acompanha não deixou de me explicar certa insuficiência que senti ao ler seus versos sem que a pudesse definir explicitamente. Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem — usando da licença que me deu de aconselhá-lo — peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas deste longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre o lusco e fusco diante do qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, — o único existente. Também, meu prezado Senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra sua vida; na fonte desta é que encontrará resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o Senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e a sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora. O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou.
Mas talvez se dê o caso de, após essa decida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o Senhor de renunciar a se tornar poeta. (Basta como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo). Mesmo assim, o exame de sua consciência que lhe peço não terá sido inútil. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que sejam bons, ricos e largos é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.
Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.
Foi com alegria que encontrei em sua carta o nome do professor Horacek; guardo por este amável sábio uma grande estima e uma gratidão que desafia os anos. Fale-lhe, por favor, neste meu sentimento. É bondade dele lembrar-se ainda de mim; e eu sei apreciá-la.
Restituo-lhe ao mesmo tempo os versos que me veio confiar amigavelmente. Agradeço-lhe mais uma vez a grandeza e a cordialidade de sua confiança. Procurei por meio desta resposta sincera, feita o melhor que pude, tornar-me um pouco mais digno dela do que realmente sou, em minha qualidade de estranho.
Com todo o devotamento e toda a simpatia,

Rainer Maria Rilke nasceu em Praga no dia 4 de dezembro de 1875. Depois de viver uma infância solitária e cheia de conflitos emocionais, estudou nas universidades de Praga, Munique e Berlim. Suas primeiras obras publicadas foram poemas de amor, intitulados Vida e canções (1894). Em 1897, Rilke conheceu Lou Andreas-Salomé, a filha de um general russo, e dois anos depois viajava com ela para seu país natal. Inspirado pelas dimensões e pela beleza da paisagem como também pela profundidade espiritual das pessoas que conheceu, Rilke passou a acreditar que Deus estava presente em todas as coisas. Estes sentimentos encontraram expressão poética em Histórias do bom Deus (1900). Depois de 1900, Rilke eliminou de sua poesia o lirismo vago que em parte lhe haviam inspirado os simbolistas franceses, e, em seu lugar, adotou um estilo preciso e concreto, que podemos perceber em O livro das horas (1905), que consta de três partes: O livro da vida monástica, O livro da peregrinação e O livro da pobreza e da morte. Esta obra o consolidou como um grande poeta por sua variedade e riqueza de metáforas, e por suas reflexões um pouco místicas sobre as coisas.
Em Paris, em 1902, Rilke conheceu o escultor Auguste Rodin e foi seu secretário de 1905 a 1906. Rodin ensinou o poeta a contemplar a obra de arte como uma atividade religiosa e a fazer versos tão consistentes e completos como se fossem esculturas. Os poemas deste período apareceram em Novos poemas (2 volumes, 1907-1908). Até o início da I Guerra Mundial, o autor viveu em Paris de onde realizou viagens pela Europa e pelo norte da África. De 1910 a 1912 viveu no castelo de Duíno, próximo a Trieste (agora na Itália), e ali escreveu os poemas que formam A vida de Maria (1913). Logo após iniciou a primeira redação das Elegias de Duíno (1923), obra esta em que já se percebe uma certa aproximação dos conceitos filosóficos existenciais de Soren Kierkegaard.
Em sua obra em prosa mais importante, Os cadernos de Malte Laurids Brigge (1910), novela iniciada em Roma no ano de 1904, empregou imagens corrosivas para transmitir as reações que a vida em Paris provocava em um jovem escritor muito parecido com ele mesmo.
Residiu em Munique durante quase toda a I Guerra Mundial e em 1919 mudou-se para Sierra (Suíça), onde se estabeleceu para o resto de sua vida, salvo algumas visitas ocasionais a Paris e Veneza, concluindo as Elegias de Duíno e escreveu Sonetos a Orfeu (1923). Estas obra são consideradas as mais importantes de sua produção poética. As Elegias representam a morte como uma transformação da vida e uma realidade interior que, junto com a vida, foram uma coisa única. A maioria dos sonetos cantam a vida e a morte como uma experiência cósmica. Rilke morreu no dia 29 de dezembro de 1926 em Valmont (Suíça).
Sua obra, com seu hermetismo, solidão e ociosidade, chegou a um profundo existencialismo e influenciou os escritores dos anos cinqüenta tanto na Europa como na América.
Texto extraído do livro "Cartas a um jovem poeta", tradução de Paulo Rónai, Editora Globo – Rio de Janeiro, 1995.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
CYL GALLINDO - MANUEL BANDEIRA
A FRANCISCO MIGUEL DE MOURA
– VIDA LITERÁRIA
Recife, 14-02-09
Querido amigo
Francisco Miguel de Moura:

Li comovido e muito alegre sua mensagem ao Paschoal Motta. Você fala de preciosidades. Nenhuma é maior do que você e o grupo piauiense, para mim.
Realmente, estive numa roda viva ao sair do Recife (Sudene) para Brasília. Aí encerrei (em parte) minha carreira profissional de jornalista – mas encerrei bem, lotado na Assessoria de Comunicação do Senado. A única lamentação: – Não consegui passar da Sudene (em estado terminal) para o Senado, o que me deixou com uma aposentadoria paupérrima. Recebera um convite da Senadora Júnia Maria /MG, para permanecer no seu Gabinete, recusado em nome de um sonho e de um ideal, que é seu também, a Literatura. De que me servia mais três ou quatro anos ganhando dois ou três mil reais, cheios de obrigações com horário, notas para a imprensa, gravar discursos e debates, entrevistas e fotografias?
Fiquei só com a aposentadoria pão com ovo e banana. Permaneci em Brasília, onde tenho um amplo círculo de grandes amizades, que incluiu o seu conterrâneo João Emilio Falcão, Fernando Mendes Viana, e continua com José Santiago Naud, Anderson Braga Horta, Branca Bakaj, Maurício Melo Júnior, Tristão Salustiano Botelho (grande romancista vencedor de Prêmio Nestlé, calado de dar raiva, para quem não lhe conhece o coração franciscano, de Francisco Miguel), Ivan, da Presença e tanta gente, que daria um catálogo.
No Recife, tratei de recompor os alicerces de antigamente, o que não é fácil porque... basta ler Oliveira Lima e Hermilo Borba. Ainda assim, tenho um considerável círculo de amizades, que incluiu Ascenso Ferreira, Gilberto Freyre, Mauro Mota, Joaquim Cardozo, e que hoje se estende a Marcus Accioly, Olimpio Bonald Neto, Milton Lins, Lourdes Sarmento e Lourdes Hortas, Dirceu Rabelo e quase todos da APL e da Academia de Letras e Artes do Nordeste – ALANE.
Trabalhos: Para não sair do Jornalismo, faz sete anos que sou correspondente para todo o País de Francachela – Revista Internacional de Literatura e Arte – editada na Argentina, e que talvez volte a ser editada no Chile, onde surgiu. Dessa correspondência, saiu um convite para traduzir e publicar um livro em Buenos Aires. Aceitei, mas antes sugeri à Editorial Francachela a criação da CICLA – Coleção Integração Cultural Latinoamericana, para tradução e publicação de autores contemporâneos. Sugestão acatada desde que eu ficasse como diretor. Fiquei. Só que para começar, preferi enviar livros de outros autores: 1 – Abdias Moura, com o Sumidouro do São Francisco - ensaio; 2 – Lourdes Sarmento, com Rituais do Desejo – poesia; 3 – aí enviei o meu De Como Descobri que não Existo – contos; 4 – Olímpio Bonald, com Tango e Reggae – contos; 5 – Maria de Lourdes Hortas – Caixa de Retratos, - romance – Regine Limaverde /CE – Se me Contas, eu Conto – contos... Enfim a coleção já está com dez obras traduzidas e publicadas. Todos elas traduzidas por uma equipe de professores da Universidade de Buenos Aires, que estudaram ou viveram no Brasil.
Afora isso preparei, com seleção, apresentação e nota a “Panorâmica do Conto em Pernambuco”, que saiu em parceria com Antonio Campos pela Escrituras/SP IMC/Recife, 2008, lançado na FLIPORTO.
Se o amigo/jóia/irmão pretender saber mais sobre os meus rastros, visite à Internet: “Cyl Gallindo escritor e jornalista pernambuco”. Tem coisa pra dedéu. Eu confesso que sou meio ruim em relação a Internet, embora já escreva diretamente nesta máquina.
Uma coisa, porém, que me enche de alegria é retomar o contato com você /vocês. Vocês fazem parte daquela turma dos antigamente: Manuel Bandeira, Nélida Piñon, Joaquim Cardozo, Luiz Luna, Leandro Konder Reis, Carlos Nejar, com espaço próprio no coração.
Veja este recente acontecimento sobre velhas e queridas amizades:

Com meu abraço fraterno,
Cyl Gallindo
MANUEL BANDEIRA
40 ANOS DEPOIS
(Ao che
gar o irrecusável convite da ABL, para memorar os 40 da morte do Poeta: 13-10-1968, membro da Academia desde 1940, quando substituiu Luiz Guimarães Filho)Importantes revelações sobre a personalidade do Poeta Manuel Bandeira, como o sentimento de “pernambucanidade”, o caráter humanista, o profundo conhecimento literário, os relacionamentos amorosos e até comportamento doméstico, foram feitas pelo seu amigo e escritor Cyl Gallindo, em depoimento exclusivo para a Revista Brasileira, da Academia Brasileira de Letras. Fase VII – Outubro – Novembro – Dezembro 2008 – Ano XV – No. 57.
O convite do Acadêmico Antonio Carlos Secchin, da Comissão de Publicações da Academia, veio por intermédio da escritora Elvia Bezerra, pesquisadora de Literatura Brasileira e autora do livro A Trinca do Curvelo: Manuel Bandeira, Ribeiro Couto e Nise da Silveira, em colaboração com Monique Cordeiro Figueiredo Mendes, Coordenadora das Publicações da ABL.
Inicialmente, Cyl Gallindo confessa que inúmeras pessoas, inclusive Carlos Drummond de Andrade, Waldemar Lopes, Plínio Doyle, sugeriram ou pediram-lhe para escrever sobre sua convivência com o autor de Itinerário de Pasárgada, e ele relutava.
Gallindo temia ser acusado de usar amizades para promoção pessoal. Livre do temor, ele relata sua mudança para o Rio de Janeiro, sua aproximação com o Poeta, que se deu porque o autor de Estrela da Manhã “queria matar as saudades desse sotaque safado do Recife, que você o tem, bem genuíno”. Revela os cuidados que Bandeira mantinha para não transmitir a outrem a tuberculose de que foi vítima; como era a vida dentro de casa, seu interesse pelas mulheres, (de quem recebia visitas frequentemente); como foi apresentado pelo Poeta a Jorge Amado e Guimarães Rosa. Os amigos que Bandeira cultivava no Recife, como Gilberto Freyre, Gilberto Osório, Mauro Mota, Stella Griz/Ascenso Ferreira, e muitos outros detalhes singulares constam nas 16 páginas da Revista, com seu artigo sob o título: LÁ FUI AMIGO DO REI.
No mesmo volume da Revista, Marcos Vinícios Vilaça comemora os 110 anos da Academia Brasileira de Letras; João de Scantimburgo e Adriano Espíndola enfocam Guimarães Rosa, ao completar 100 do seu nascimento; Elvia Bezerra fala de Jayme Ovalle: o homem que conhecia “a temperatura da alma"; Arnaldo Niskier, de Liberdade de expressão, Ledo Ivo está com uma narrativa; Ivan Junqueira, Luiz de Miranda e Reynaldo Valinhos Alvarez publicam poesias e Anderson Braga Horta, praticamente fecha a publicação, com as traduções dos poemas do espanhol Rodolfo Alonso.
(Comunique-se pelos e-mails: publicacoes@academia.org.br e
Consulte o site: http://www.academia.org.br )
_________________
*Cyl Gallindo, poeta e contista permanbucano, autor de vários ensaios e estudos da maior importância para a história e a sociologia brasileira. Mora em Recife-Pernambuco. Email: cylgallindo@yahoo.com
sábado, 13 de setembro de 2008
LUIZ FERNANDES DA SILVA a F. MIGUEL
João Pessoa, 8 de setembro de 2008
Iluminado Poeta/Escritor
Francisco Miguel de Moura
Por outro lado, quero agradecer também por ter inserido o meu trabalho ao lado dos grandes. Esse volumoso livro só veio enriquecer a nossa Cultura Brasileira e reverenciar os seus méritos, porque você é o maior e melhor escritor do seu Estado. Uma prova está nos seus livros, que encantaram as centenas de leitores pela sua brilhante atuação no mundo das letras. Eu acompanho a sua carreira há muitos anos e sou sabedor que você é um grande gênio da palavra.
Aproveito para sugerir que você deveria ser homenageado pelo Governo do seu Estado, porque você é uma grande cultura e um grande orgulho em sua luta pela terra.
Parabéns pelo seu talento. Amo seus textos e todos os seus escritos.
Receba os meus aplausos e a certeza de vê-lo brilhar cada vez mais.
Luiz Fernandes da Siva
Poeta e editor do "Correio de Poesia"
terça-feira, 22 de abril de 2008
CARTA DE PONTA PORÃ-PR, 15/03/2008

Luís Fernandes da Silva*
Querido amigo, perdoe a demora nas respostas. Eu estava viajando, fiquei dois meses em Campinas fazendo tratamentos, meu coração já não é o mesmo, infelizmente. Após a Semana Santa voltarei para repetir dois exames, caso me liberem, voltarei brevemente; se não, terei que ficar por lá mais um ou dois meses acredito. Tenho uma irmã
Sua poesia é mais rica em metáforas, é diferente da minha, é mais ritmada, mais formal e por isto melhor. Eu, não sei por que, deixo sempre um pouco de lado os padrões formais. Procurando sempre um significado, vou passando por cima de algumas regras entre a prosa e a poesia e vice-versa.
Sua metáfora é inteligente. Tem um significado profundo e o pensamento o esclarece sem grande esforço. É a metáfora com um ritmo que poucos conseguem retirar com poesia tão elegante. Parabéns por isso. Seu poema “Levita(cão)” é fortíssimo e significativamente belo nesse sentido que o observo.
Pois é, meu amigo, a poesia é uma guerra pessoal. Lutamos com os nossos fantasmas tentando matar o que não tem morte, acordando palavras que não adormecem em nossas almas.
Jamais viveremos dessa nossa poesia, jamais seremos isto ou aquilo com as nossas poesias, não somos políticos e nem embaixadores, vivemos no Brasil. Mas vale a pena escrevê-las, mesmo mandando livros a muitos e recebendo respostas de poucos, vale a pena.
Um exemplo: Lendo o seu grandioso “Correio de Poesia”, de João Pessoa, PB, onde você mora, observei as reclamações do grande poeta piauiense Francisco Miguel de Moura dizendo do abandono da mídia em que vivemos. Disse bem, é isso mesmo, a mídia não está nem aí para todos nós. Como ela se desenvolve alopradamente aos arredores do poder e das falsas glórias desse novo mundo perdido, dificilmente se voltará para outros valores
Assim, eu acredito que o meio é mais importante que a mídia. São a mesma coisa, significam o mesmo, com a diferença que dele é que nasce o espaço para que nela se expanda para o mundo.
Por isso, eu o valorizo tanto, meu bom amigo. Seu “Correio de Poesia” é melhor que tudo; dele, muitos colherão bons frutos. Você é o meio saudável, o meio que me refiro com os seus clamores poéticos, o meio indo às distâncias mais longínquas com resposta a muitos do que é preciso ser feito e valorizado. A grande mídia precisa ser esquecida por todos nós. Ela não é mais o meio, o nosso meio. Ela quer saber se o príncipe bebeu ou não, com quem ele está namorando, ou se a rainha acordou com mau humor ou não. Ela quer saber da moda, da estética, da aparência falsa de um mundo velho que se esfarela a cada dia aos olhos de todos. Se eu continuar, vou à China e volto ao Brasil duzentas vezes sem parar. Rsss.
Vou parando para não lhe escrever uma Bíblia inteira. Escreverei mais ao amigo assim que eu voltar, suas cartas fazem bem ao coração e à alma de quem escreve.
Um forte abraço de um dos seus melhores amigos e que será o mesmo sempre.
As) Arine de Mello Jr.
Nota: Mora em Ponta Porã, PR e escrever poesias. Carta datada de 15-3-2008.
_________________________
*Luís Fernandes da Silva, poeta de elevada inspiração, mora em João Pessoa-PB, onde mantém o alternativo-mimeografado "Correio de Poesia" e espalha para o todo o Brasil e exterior.
terça-feira, 18 de março de 2008
CHAGAS VAL - POETA FALA A POETA

Carta ao poeta
Francisco Miguel de Moura
Caríssimo Poeta:
Ainda sob o impacto dos rutilantes versos da sua ANTOLOGIA, escrevo-lhe com a emoção de quem percorreu caminhos de luz e quase se perdeu nos meandros das palavras e nas vertiginosas curvas das estrofes, notadamente nos sonetos, que são o que de melhor existe no livro, embora me encantem sobremaneira os poemas curtos porque são a síntese de sua singular poética e a marca registrada da grande poesia de Francisco Miguel de Moura.
A poesia nos dá alento para viver. E você, por causa dela, viverá muito e escreverá novos livros plenos de emoção e de beleza, que nos encantarão a todos que o admiramos e o amamos exatamente pelos candentes poemas que urde em sua magnífica oficina, onde as palavras têm cintilações de lapidados diamantes, onde a cadência, o ritmo dos versos nos embalam. E eles nos encantam como inusitadas sinfonias.
As rosas estão intactas em suas pétalas ainda fechadas e nós queremos dissecá-las no afã de cultivar nosso jardim, e isso é o ofício dos poetas: buscar a luz e o perfume das flores para amenizar saudades e dores de um paraíso para sempre perdido, embora que, anelantes, o busquemos como Proust, e nos detenhamos diante de uma xícara de chá para nos perdermos “em busca do tempo perdido”, onde só a memória e as palavras hão de recuperá-los.
Não saí ainda da galáxia de Gutenberg, e a internet para mim é inacessível como a quadratura do círculo. É como se tateasse nas trevas querendo decifrar o enigma da Esfinge, isto porque a tecnologia moderna me é estranha e indecifrável com seus celulares e computadores. Acho, poeta, que obsoleto como sou, eu deveria ter nascido antes da Revolução Industrial, pois como Proust até o telefone me incomoda.
Entretanto, o que interessa mesmo é a poesia, a palavra dessa lavoura constante como a aurora. Ela nos desperta com pássaros e canções, num abismo de luz, a incendiar os canaviais da manhã. E, quando despertamos, espantados, vemos que os sonhos são apenas sonhos e a realidade nos dói como punhais, e a luz explode ante nossos olhos atônitos ou quase cegos.
Sempre que puder, escreva-me. Suas palavras são um estímulo. Apesar de praticamente não nos conhecermos, sinto uma grande admiração e estima por sua poesia, extensiva à sua pessoa.
Com o abraço do
CHAGAS VAL*
São Luís (MA), 15/02/2008
* Francisco das CHAGAS VAL, poeta brasileiro, nasceu gente/menino no Piauí; mas como poeta é bem maranhense e dono de um estilo tão agradável quanto leve e profundo em seus mistérios.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
CARTA A UM POETA
ROGÉRIO SALGADO*
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
CARTA DE CARLA EZARQUI
Caro amigo Francisco Miguel de Moura:
Um tanto envergonhada pela ausência, retorno a escrever-lhe, pois já estou morrendo de saudades.
As obrigações são muitas, o vestibular está chegando e a cada dia me vejo mais desesperada, apesar de estar muito bem.
Recebo frequentemente suas publicações e agora me dou o prazer de comentá-las.
Todos Somos Políticos mostrou-me outro potencial seu que eu desconhecia. Embora nos acabe irritando falar sobre política e principalmente sobre a triste “origem” do Brasil e seus primeiros anos, se faz necessário uma vez que o nosso povo precisa abrir os olhos e parar de se orgulhar simplesmente por estar exportando “jogadores, sem nenhuma política que leve o sentimento de amor à pátria”.
A visão abrangente e seu discernimento espantaram-me. Que trabalho maravilhoso, de ótima qualidade mesmo!
Outra frase que me chamou a atenção ainda nesse texto foi: “Educação moral se aprende em casa, depois é que vem a escola por complemento”. Quantos e quantos pais ainda não aprenderam isso! Quão pobre é o nosso rico país!
O texto fez-me refletir sobre coisas que nunca havia parado pra pensar. Como pode uma nação tão “poderosa”, não ter conquistado seu espaço?!
A Lua é uma crônica de perfeição tamanha que, mesmo já conhecendo seu potencial, me surpreende como um ser humano pode criar coisa semelhante. Realmente vivemos das banalidades. Eu às vezes me pergunto como o que parece ser um simples papel com algumas palavras pode mexer tanto comigo? São palavras tão simples, mas por outro lado, possuem significados tão profundos e com mensagens tão importantes para nossa vida, que me vejo morta sem elas. Ainda mais com o “mundo de luto”, não há coisa melhor pra colorir nossa vida do que uma boa leitura e é claro um bom entendimento.
Ao ler Na avenida senti haver algo muito real na narração do fato. Isso aconteceu? Como também me identifiquei muito, pois vivo a pensar e não sei por que gosto de andar sozinha pelas ruas, principalmente quando vou caminhar (comecei há um mês aproximadamente), assim ninguém interrompe meus pensamentos; também não me considero anti-social, mas muitas vezes me admiro de estar me sentindo bem dentre tantas pessoas desconhecidas. Enfim, adorei a crônica.
Aguardando notícias suas. Despeço-me, deixando-lhe um abraço mui carinhoso.
A amiga e a grande apreciadora da boa leitura,
Carla Ezarqui
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Carla Alexandra Ezarqui é estudante do curso superior, mora em Borborema-SP, escreve poesias e pretende formar-se em letras.


