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domingo, 31 de janeiro de 2016

VAIVÉNS: TEMPO E AMOR

Francisco Miguel de Moura*


O que faria não fez 
com o faro do passado.
                       
O futuro não lhe diz nada:
Voa como o vento em serrania.
E passa, e nunca é passado
e leva e lava a gente
na poeira dos olhos,
nas juras negadas.

Tento ser luz aquela luz
que teus olhos me entregaram.
Em vão proclamo:
- Luz, me acende! Ou me cega de vez!
E ela se apaga, deixando-me ver tão só
o único caminho do tempo em naufrágio.
                     
Nego o amor, aquele amor que morde,
que afogaria os afagos desejados
sem colheita sequer
da volta de um olhar
de fogo que seja:

-Quero morrer abrasado.

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*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro como um poema do passado. Ainda bem que o antigo poema sofreu o novo! Será que vale a pena beber águas passadas ou empossadas?

segunda-feira, 24 de março de 2014

MANIFESTOS - Procissão de vanguardas

Francisco Miguel de Moura*



Pós-clássico, pós-romântico...
Pois o Parnaso fica além Atlântico:
Depôs o simbolismo, se embolando,
Em misticismo hermeticando,
Versiculando...
Nunca prosa.

Moderno? O que é isto, meu rapaz?
A procissão de manifestos prolifera
Em micro-poéticas pela atmosfera:
Pau-brasil, primitivismo,
Verde-amarelo, anta, marinismo...
Quem veio acabar com tudo – destruiu-se.
E nasce o tropical tropicalismo,
Ora caído em tropical melancolia:
Morte de Torquato, de Caetano velhice...

Nada mais pra criar em cima do nihilismo.
Para gozar dos pós-isto e aquilo,
Na parábola que abriu o tropical-
Ismo, morrem todos os ismos
E nasce o pós-tudo,
Que pôs tudo a perder
E hoje habita à rua do sem nome
.
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*Poeta brasileiro, mora em Teresina, Piauí - Brasil - A poesia é tudo de bom que o homem pode fazer, ler, decorar, divulgar.

domingo, 8 de setembro de 2013

MEU IPÊ TRANSTORNADO



Francisco Miguel 
de Moura*





Não sei se era roxo ou amarelo,
Deve estar branco de medo
Do ar e  dos ventos multicores
Que saem às ruas para justificar
Que não há povo, há governo.

Mudaram-lhe os passos, diviso:
As flores ainda não acordaram,
As folhas morreram virgens.

“Serei eterno pau feio e seco?!
 Por meus caminhos, quem viria?”

É outra vida, amigo, e terá cicatrizes,
Irão mexer com as suas raízes,
Num mundo deflorado, ado...
Mas num chão in vitro!
Vejo-lhe os braços pretos de calor,
Já descalços de beleza e amor.

Para onde foram nossos “eus”?
Num mundo de infelicitados,
Por que chorar os felizardos
onde castigam Flora... Oh Deus!

_____________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta dos ipês e de outras da florestas, que não deixaram, sequer, raízes. Piauiense, mora em Teresina, PI.

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