quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Entrevista para a seção "Ping Pong", do Jornal Meio Norte


Lucrécio Arrais - entrevistador 
Francisco Miguel de Moura - entrevistado

LA - O que lhe motiva a escrever? 
FMM - A beleza e a verdade: a primeira porque não sei fazer outra arte,
senão a de escrever: a segunda, porque só me sinto bem dizendo a verdade 
sobre mim, sobre você, sobre o mundo que me rodeia. Toda verdade per-
te do sujeito, e eu, com minha auto-estima acredito que sou sempre verda-
deiro.

LA - Dos 42 livros que o senhor escreveu, qual seu favorito? 
FMM -Todos! Mas como dizem que o favorito é o mais recente, então
 é  "Minha História de Picos", pois que, de todos eles, é aquele que escrevi 
com mais amor: Foram 50 anos de amadurecimento, desde que saí de
minha terra. 

LA - O senhor conheceu, recentemente, quais autores famosos?
FMM - Conheci muitos. Lembro-me agora somente de duas escritoras: 
a poetisa Henriqueta Lisboa e a romancista Raquel de Queiroz. Nunca me
interessei em conhecer escritores, prefiro conhecer as obras, falam por si.

LA - Como atrair novos leitores?
FMM -Sair por aí falando com quem gosta de ler, frequentar reuniões literárias, 
escrevendo para os jornais, além de recitar poemas, falar sobre livros. Por isto 
me dizem que eu só sei falar de literatura. Engano, também entendo de história, de 
política, de memórias, de artes plásticas: Fiz um curso de "Crítico em Artes", 
na Universidade Federal da Bahia, a qual me diplomou.

LA - O senhor se considera pertencente a algum movimento literário Qual?
FMM - Depois dos movimentos modernistas, não há revoluções sobre poesia, 
prosa e  artes, parece que o tempo parou ali. Mas veio o "Movimento Concretista", 
que não pegou. Eu mesmo fiz alguns poemas concretos, mas não publiquei livros.

LA - É mais difícil escrever em poesia ou em prosa?
FMM - Poesia, para mim, é mais fácil. Mas não aconselho ninguém que queira
ser escritor a começar pela poesia. Ela é mais difícil do que a prosa.

LA - Quais seus próximos lançamentos? 
FMM - "Antologia dos poemas e poetas mais amados" - desde antes de 
Camões até Drummond. E depois, só Deus é quem sabe.

LA - Qual seu livro de cabeceira?
FMM - A Bíblia. Depois dela, todas as antologias de poemas que conheço.
Nas antologias lemos o melhor de cada autor.

LA - Qual o escritor que você mais admira?  
FMM -  Carlos Drummond de Andrade.

LA - O Piauí é fruto de inspiração para suas obras?
FMM - Sim. Todo poeta é primeiramente o poeta de sua aldeia, assim
disse Dostoiévski.

LA - Defina: como é ser um escritor piauiense?
FMM - Um escritor piauiense procura viajar por todo o Piauí, principalmente pelo
interior e conhecer as principais obras dos autores piauienses. Agora se
tornou fácil com a quantidade de obras publicadas pela Academia Piauiense de 
Letras.


domingo, 30 de setembro de 2018

Alguns haicais de Guilherme de Almeida

O PENSAMENTO

O ar. A folha. A fuga.
No lago, um círculo vago.
No rosto, uma ruga.

HORA DE TER SAUDADE

Houve aquele tempo...
(E agora, que a chuva chora,
ouve aquele tempo!)

INFÂNCIA

Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se "Agora".

CIGARRA

Diamante. Vidraça.
Arisca, áspera asa risca
o ar. E brilha. E passa.

CONSOLO

A noite chorou
a bolha em que, sobre a folha,
o sol despertou.

CHUVA DE PRIMAVERA

Vê como se atraem
nos fios os pingos frios!
E juntam-se. E caem.

NOTURNO

Na cidade, a lua:
a jóia branca que bóia
na lama da rua.

OS ANDAIMES

Na gaiola cheia
(pedreiros e carpinteiros)
o dia gorjeia.

TRISTEZA

Por que estás assim,
violeta? Que borboleta
morreu no jardim?

PESCARIA

Cochilo. Na linha
eu ponho a isca de um sonho.
Pesco uma estrelinha.

JANEIRO

Jasmineiro em flor.
Ciranda o luar na varanda.
Cheiro de calor.

DE NOITE

Uma árvore nua
aponta o céu. Numa ponta
brota um fruto. A lua?

FRIO

Neblina? ou vidraça
que o quente alento da gente,
que olha a rua, embaça?

FESTA MÓVEL

Nós dois? - Não me lembro.
Quando era que a primavera
caía em setembro?



ROMANCE

E cruzam-se as linhas
no fino tear do destino.
Tuas mãos nas minhas.
____________
*Guilherme de Almeida, poeta paulista, estes haicais farão parte do livro "Antologia de poemas e poetas mais amados", organizada por Francisco Miguel de Moura, Teresina, Piauí.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O INSÓLITO VÔO - E Tradução para o inglês

Maria Mécia Moura e Francisco Miguel de Moura

Teresinka Pereira

As metáforas te enchem de temas.
Não são palavras vãs,
porque se tomas o vinho
de teu próprio invento
o transformas em chuva
para aguar o árido deserto.

Além disso, usas
os jogos da infância
para assassinar a noite
com o medo, atormentando
uma sede muito barroca,
meio vanguardista
e uma catarse torcida
que desnuda em teus dedos
a atração de mil delícias
que não se podem tocar.

Mas eu não sei de nada:
sou bailarina sem música.
Minhas pupilas olham o monitor
e o noto cheio de perguntas
que não sabemos responder.
Um insólito vôo de pássaros líricos
parte da minha boca
e não chega a lugar nenhum.




IGNEOUS  FLIGHT

        Teresinka Pereira

Metaphors may fill you with themes.
They are not vain words
because if you take the wine
of your own invention, it will becomes rain
and water for the arid desert
of your soul.

Besides this you use again
the childhood games
to kill the night with fear
which torments like an avantgarde
baroque thirst or a twisted catharsis
stripping in your hands
the attraction of thousands pleasures
never touched before...

But I don't care for any of this:
I am a ballerina without music
My pupils look at the monitor
and all I see are questions
I do not know how to answer.
In an igneous flight
lyric birds take off from my mouth
and have no place to go.

.............................

Tetesinka Pereira a Presidente da IWA (International Writers and Artists), no Estados Unidos da América. Professsora, poeta, tradutora e crítica literária. Recebi a matéria por e-mail.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

INTERLAGOS – TROVAS - Para Solon


 Francisco Miguel de Moura

   1   
Solon tem uma fazenda
Onde estivemos um dia,
Depois do café, a agenda,
E ele próprio de guia.


Eu e ele (e a Mécia ia):
Um passeio de encomenda,
Em tão calma companhia,
Aos dois lagos e à fazenda.

Nunca vi tanta beleza!
Juntos a gente descia
A trilha, que por surpresa,
Ninguém cair não caía.

Água fresca para o banho:
Como a gente se extasia!
Oh! tempo bom sem tamanho,
Sol nascente, um belo dia!

Se houvesse tempo pro banho,
Oh! A gente banharia!
Assim mesmo, quanto ganho
Vendo a água que escorria.

Em dois, o lago se abria
E os peixes...  Quase um apanho
Com a mão, que já tremia
Ao o vento fresco tamanho!

Àgua limpa, sem arranho...
O morro ao longe extasia
E o cheiro da mata, o ganho
Que a fazenda oferecia. 

Descrevendo seu amanho,
Perguntei por sapo e jia,
Das que saltam e, em rebanho,
Cantam de noite e ou de dia?

- "Só na noite sem tamanho...
E os pássaros vêm de dia,
Eles cantam, com assanho,
Na madrugada mais fria.

Mais tarde vem o rebanho,
Todos cheios de alegria,
Buscando rações e amanho
Trazendo cantos de orgia".

Dias alegres... Que ganho!
Tão logo que rompe o dia,
Quando é noite, já me apanho
Em Jaicós, minha guia.

   2
Agora mudo de rima,
Pra mostrar o passadiço
Que a gente salta por cima.
Facas em cruz... É, por isso, 

O sinal de paz que anima
A gente... Não fico omisso...
Saltamos os três por cima,
Sem milagre nem feitiço.

Serviçal também havia
Para fazer seu serviço:
Uma porca que grunia
 E um cachorro nada omisso.

Na casa cobra não ia
Por causa do passadiço
E da cerca que o seguia,
Para não furar  o seu viço

Bastante perigo eu via,
Mas enfrentei sem feitiço
Vencendo o perigo, eu ia
Saltando em chão movediço...

De areia e pedra... Era isso
Que no outro lado havia.
Na volta, sem compromisso,
O mesmo salto eu fazia.

No salto pra dentro, ou isso,
Uma bela casa havia,
Casa limpa, por serviço
Do serviçal que o servia.
   3

Agora, pra terminar
Deixe-se a rima de lado:
Sua viola foi tocar
E nós ouvindo a seu lado.

Tomamos cerveja e vinho
Ouvindo o tom da poesia...
Não precisou de adivinho
Pra predizer a alegria.

Maior alegria a nossa,
Por tão poética poesia,
Alegre sem fazer mossa,
Olhou... Voltar quem queria?

O dia estava em metade,
Voltou-se... Era um euforia,
Para o almoço de verdade
Que ele mandava e servia.

Solon tem tão alta estima
Por fazer tudo o que faz...
Muito obrigado não rima
Mas nossa presença traz.

Agradecendo ao Solon
Com estes versos na mão,
Por tudo o que faz de bom
Por seu grande coração.

                  (FMM)
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*Francisco Miguel de  Moura, o autor, é poeta e prosador, mora em Teresina-Pi e é muito amigo do poeta José Solon de Sousa.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

SENSUAL ALICE e RESPOSTA DE ALICE

SENSUAL ALICE





   Francisco Miguel de Moura






Foi na queda da minha meninice,
desaguando na minha juventude,
que me veio à cabeça esta virtude
de te gravar no coração, Alice.

Tu brincavas na praia, ondas salgadas
vinham quebrar-se nos teus pés, sem pejo.
Aproveitar meu prematuro ensejo
seria um céu. Perdi nossas pegadas.

Sonho as curvas da praia, as curvas tuas,
como o seio nascente que guardavas.
De tanta coisa, desejei só duas.

Na noite, as mãos levíssimas de sondas...
E entre séria e risonha te afastavas,
levada docemente pelas ondas. 
                 
             Teresina, "AREIAS" Dez. 1966




RESPOSTA DE ALICE

                         
                 Francisco Miguel de Moura

Altas ondas do mar... Tu me encantaste
Mirando o verde-azul dos sonhos teus.
E eu que pensei ser ordem de meu Deus,
Me deixei ser a flor presa a tua haste.

Mas foi triste a ilusão! Eu, noutro plano,
Jamais despertaria os sonhos teus.
Se nos amamos tanto em tal engano,
Continuaste, enfim, sem meu adeus.

E assim, no longe e perto, e separados,
Não sou flor, nem o fruto que sonhamos:
Sou a linda sereia destas águas.

Nossos rastos são rastos apagados
Pelo tempo e a forma do que amamos:
Nossas saudades não se tornem mágoas.
                             
                 (Inédito) Teresina, junho/2018

quinta-feira, 28 de junho de 2018

OS DEUSES E OS HOMENS


 Francisco Miguel de Moura*






                  Os deuses nascem sobre infinitos,
                    poderes criam, matérias vãs.
         
                    As deusas crescem nas suas vestes
                    brancas. Acordam pudor, espírito...

                    Os homens calam nos seus enganos
                    de enganadores, mordendo atritos.

                    E as mulheres? Dançam  as formas 
                    provocadoras de mais conflitos.

                    Anjos do mundo, ninguém me engana.
                    Humanidade - tu és tão plana,
                    vacuidade dos mesmos ritos.
                   
                    Ai, todos temos as nossas  ganas
                    de poder podre, na paz, no grito,
                    e assim levamos vidas tão vanas,
                    fazendo as honras para o proscrito.

 ________________
 * Poeta brasileiro, moro no Piauí, Capital. Estou fazendo uma "Antologia dos Poemas e Poetas mais Amados. Estamos abertos para inscrições. Se for aprovado o seu poema, figurará na Antologia e não paga nada.




quarta-feira, 23 de maio de 2018

DA SOBREVIVÊNCIA DO SONETO - Francisco Miguel de Moura e Da Costa e Silva


 DA SOBREVIVÊNCIA DO SONETO            

Da Costa e Silva e Francisco Miguel de Moura)

                                         Rosidelma Pereira Fraga*

        Nesta conferência, realço como objetivo fulcral examinar a literatura piauiense, em geral e, em particular, a respeito de dois grandes poetas: Antônio Francisco da Costa e Silva e Francisco Miguel de Moura. Nomeio como palavras-chave a literariedade, a história e a recepção do leitor, de modo que a minha reflexão se fundamente na seguinte assertiva de Ezra Pound, em seu ABC da literatura: o mau crítico identifica-se quando em vez de debater a obra, discute-se o autor. Nessa perspectiva, interesso-me falar acerca da literatura supracitada como arte, expressão de identidade, memória e sistema literário, pautando-me no ponto de vista adotado por Antonio Candido em sua Formação da Literatura Brasileira (1987) e não como uma literatura documentária sobre o Piauí, nem muito menos como vida e obra desarticuladas de uma estética literária.

          A literatura piauiense acabou recebendo tal adjetivo, assim como a literatura mato-grossense e outras menos divulgadas, por conta do “esquecimento”, mas elas são literatura brasileira unicamente pela qualidade estética das obras literárias e de autores que deveriam estar no destaque merecido em maior parte da história da literatura brasileira, ao lado de Gonçalves Dias, Cruz e Souza, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, José de Alencar, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Guimarães Rosa e tantos nomes relevantes da literatura de todos os tempos, pois basta ler Poemas e canções, de Vicente de Carvalho (1866-1924) e constatar que Da Costa e Silva possui o mesmo quilate desse poeta no âmbito de uma literatura universal.
          Da Costa e Silva e H. Dobal são os grandes poetas do Piauí. Torquato Neto foi um dos fortes representantes do “Movimento Tropicália” e tem o poema “Cogito” na seleção dos Cem melhores poemas brasileiros do século, organizada por Ítalo Moriconi como igualmente participa Mário Faustino com sua “Balada”, na terceira parte, curiosamente intitulada “O cânone brasileiro”. Isso não é suficiente ao escritor de qualidade literária. Respectivamente, Hardi Filho e Paulo Machado são grandes vozes da poesia brasileira e se me estendesse na lista cairia no lugar onde não planejei e nem pretendo chegar. Para um pequeno começo e arcabouço de nomes e obras, recomendo que o leitor deguste a incansável pesquisa de Adrião Neto (1995), no Dicionário Biográfico de escritores piauienses de todos os tempos, Literatura do Piauí (1859-1999), de Francisco Miguel de Moura, editada pela Academia Piauiense de Letras (2001), A poesia piauiense no século XX, de Assis Brasil (1995), ou mesmo a Literatura piauiense – escorço histórico, de João Pinheiro e, paulatinamente ler, conhecer, enamorar e julgar as obras, independente do lugar onde esse leitor habite.
          Peço licença poética aos poetas da terra e aos leitores assíduos dessa literatura, sobretudo ao especialista da obra de Da Costa e Silva, o Professor Doutor Cunha e Silva Filho com sua pesquisa Da Costa e Silva: uma leitura da saudade. Pois bem, eu sou genuinamente uma leitora ou a soma de outros leitores de mãos dadas, os quais se tornam os responsáveis para que a obra literária permaneça viva e imortal, uma vez que o escritor nunca tem a sua última palavra, ensinou-me o crítico Maurice Blanchot, em O espaço literário (1987).
          Abro um parêntese para realçar o que a literatura piauiense tem de relevante em termos de especificidade do texto literário e das qualidades estéticas tão imprescindíveis quanto aquela literatura consagrada e destacada pela crítica hegemônica, mas que por razões quiçá irrelevantes não entraram para o compêndio da literatura nacional. Isto porque, para muitos, “literatura boa é a literatura lida”, ou “literatura de qualidade é aquela confirmada pela crítica” ou “aquela literatura produzida nos grandes centros ou nas regiões não periféricas”.
           É bem verdade que muitos autores em regiões periféricas não conquistaram uma cadeira de prestígio na história da literatura brasileira para hoje entrar na discussão dos lugares ou entre - lugares da poesia e prosa contemporâneas. Ou tal literatura não recebeu honra ao mérito ou não fizeram jus a ela porque era produzida no Piauí e arrabaldes. Aqui neste instante de escritura, eu exerço, em forma de memória, a minha identidade perdida de uma pequena ex-leitora da graduação, hoje no doutorado em estudos literários, mas curiosa pelas descobertas como sempre fui. Recordo-me, com nitidez, que os meus professores de literatura brasileira nunca levaram a literatura piauiense para sala de aula, pois a crítica selecionada para leitura obrigatória também não falava dela, contudo um desses professores entregou-me a chave do poético apresentando-me A Formação da Literatura Brasileira para que, no futuro que agora se faz presente, eu estivesse aqui, de corpo e alma, a falar de literatura em sua especificidade.
          Pergunto então e quem for leitor responda: como uma literatura pode ser lida se não é divulgada? Como um estado que possui um conjunto de obras com qualidade estética e autores significativos, inúmeras associações/centros culturais, academias literárias, com uma forte recepção e público, não pode constituir um sistema literário e entrar para a história da literatura dita nacional? É legítima a defesa de que isso não se aplica no século XXI porque a literatura produzida nas cidades de maior tradição literária: Amarante, Floriano, Luís Correia, Parnaíba, Campo Maior, Oeiras e noutras cidades do estado do Piauí como na capital Teresina, a terra do Torquato Neto, já não reside nas sombras do anonimato e nem nas ondas das manifestações literárias ou conjunto de obras isoladas e sim uma literatura que faz história em sua coletividade como escreveu o poeta Chico Moura, ao discutir as origens da literatura piauinense: “literatura em sentido histórico é literatura coletiva” (MOURA, 2008, p.1).
          Atualmente, as obras literárias piauienses são lidas e apreciadas por leitores do Brasil e fora do país, com uma recepção calorosa. E não foi indispensável levantar “as bandeirinhas” para comprovar se essa literatura é canônica ou não. Eu sou mato-grossense, nunca fui literalmente ao Piauí, apenas literariamente. Porém, apreciei a poesia de lá e reservei um espaço nas páginas da minha vida para escrever a propósito dela, assim como investiguei a obra de Murilo Mendes, João Cabral de Melo Neto, Manoel de Barros, Corsino Fortes (Cabo Verde), Mia Couto (Moçambique), José Saramago e outros escritores de literatura em Língua Portuguesa. Examino a obra como literatura e linguagem e não meramente como lugares do Brasil ou especificamente do eixo Rio/São Paulo porque é a literatura recomendada pela crítica hegemônica. Não estou fazendo política para não lermos os clássicos, porquanto concordo com Italo Calvino quanto à importância de Por que ler os clássicos, mas creio que a leitura deles é crucial para posteriormente examinarmos que autores do Piauí, de Mato Grosso, de Goiás e outros estados também leram os clássicos, escreveram e continuam a criar obras de qualidade literária e nada deixam a desejar ao lado da literatura nacional.
          Sob esse prisma, abro mais um parêntese para discordar daqueles que colocaram os adjetivos “literatura piauiense”, “literatura goiana”, “literatura mato-grossense”, dos quais não sou simpatizante e nem quero tomar partido, embora entenda que tais designações nasceram com intuito de “acordar” os de fora e dizer: “aqui também nós temos boa literatura”. Ainda assim, prefiro ler os poetas do Piauí como autores da literatura nacional da mesma forma que leio Gonçalves Dias, Castro Alves, Drummond, Augusto dos Anjos, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Jorge de Lima, Cecília Meireles, Manoel de Barros, Adélia Prado e outros nomes. Falar de um poeta nacional é reconhecer em sua obra as qualidades de sua linguagem e estilo, da forma como o crítico Wilson Martins glorificou H. Dobal, comparando-o ao nível tão elevado na poesia brasileira como é João Cabral de Melo Neto e enfatizando que ambos não têm nada a ver com a geração de 45.
          Por assim defender, elegi dois nomes, por critério de gosto peculiar, pela temática e pela composição poética, dentre os quais apontarei sonetos marcantes, não querendo dizer que outros autores e obras não mereçam destaques, mas como o meu espaço é exíguo faço a minha indicação das vozes da literatura brasileira, em especial, do estado do Piauí, libertando-me doravante do adjetivo. Escolho Zodíaco (1917) e Pandora (1919), de Da Costa e Silva, Areias (1966) e Sonetos escolhidos (2003), de Francisco Miguel de Moura, na ordem dos nomes e na pauta do meu dia e, é óbvio, cometendo inúmeras injustiças com Torquato Neto, H. Dobal, Mário Faustino, O. G. Rego de Carvalho, Hardi Filho, Luiz Filho de Oliveira e outros poetas e romancistas que formam um sistema literário brasileiro.
Vamos ao poeta Antônio Francisco da Costa e Silva, o aclamado príncipe dos poetas piauienses. Ao olhar a obra de Da Costa e Silva, considero-o como um artista de todos os tempos e, mormente o poeta telúrico, cuja alma é solidificada no tema da saudade, solidão e melancolia que ora é instaurada na evocação da terra-mãe, ora nas reminiscências da infância.
Onde situar o poeta na literatura brasileira? Fausto Cunha assevera que o valor de Da Costa e Silva é evidente. Ele pode circular nas estéticas simbolista, parnasiana e modernista, ou melhor, “talvez ele seja o poeta angular das três correntes, porque assimilou o Modernismo em sua primeira fase” (CUNHA, 1995, p.56). Similarmente a Cunha, Assis Brasil certifica que Da Costa e Silva tem suas obras filiadas nessas três escolas, ao apontá-lo também como herdeiro da tradição romântica, simbolista e parnasiana e por seu convívio na fase pré-modernista:
          Era natural que Da Costa e Silva fosse influenciado por nomes de quilate de Verlaine, Baudelaire, Nobre, Cesário Verde, Antero de Quental, Cruz e Souza. Embora muitos críticos o situem mais como parnasiano que como simbolista, por exemplo, alguns estudiosos de sua poesia flagram também Da Costa e Silva interessando a sua musa na linguagem do Modernismo (BRASIL, 1995, p.55-56).
Na minha leitura, Da Costa Silva é intensamente simbolista e sua linguagem banha-se na fusão entre a sonoridade e o sentido. A linguagem poética sugere por meio das repetições, da veia sinestésica e o poema passa a ser um véu bordado de palavras. Da obra Zodíaco (1917), apresento o soneto “Saudade”: 

SAUDADE

Saudade! Olhar de minha mãe rezando
e o pranto lento deslizando a fio...
Saudade! Amor de minha terra... O rio...
Cantigas de águas claras, soluçando.

Noites de junho. O caburé com frio,
ao luar, sobre o arvoredo... piando... piando...
e, ao vento, as folhas lívidas cantado
a saudade infeliz de um sol de estio.

Saudade! Asa de dor do pensamento!
Gemidos vãos de canaviais ao vento...
As mortalhas de névoa sobre a serra.

Saudade! O Parnaíba – velho monge – 
as barbas brancas alongando... E, ao longe,
o mugido dos bois de minha terra...
                       (DA COSTA E SILVA).

          A leitura do soneto de Da Costa e Silva permite-me apontar a riqueza da universalidade temática que aflora nos signos da lembrança da terra, dos espaços que marcam a identidade do sujeito lírico-poeta (a casa da mãe, a terra, as festas juninas, a fazenda, o Paranaíba - rio e cidade). A terra é liricamente banhada pela voz do poeta, sob os símbolos alvos que lembram muito o poeta simbolista brasileiro Cruz e Souza, na escolha de vocábulos sinestésicos e sugestivos: “águas claras, soluçando/gemidos vãos de canaviais/barbas brancas”. Entretanto, percebo um traço ímpar que só um poeta que sente o cheiro e vê a cor de suas raízes é capaz de imprimir. O poema da nostalgia e da alegria leva o leitor para um ambiente que se abre para o espaço da literariedade: as águas de/do Parnaíba. Esse espaço está na linguagem que metaforiza e traduz a identidade marcada na escrita do outro (a terra) em de si mesmo.
          Da obra Pandora (1919), o soneto “Sob outros céus” segue o mesmo arquétipo das reminiscências telúricas:


SOB OUTROS CÉUS 

Eu sou tal qual o Parnaíba: existe
Dentro em meu ser uma tristeza inata,
Igual, talvez, à que no rio assiste
Ao refletir as árvores, na mata...

O seu destino em retratar consiste,
Porém o rio tudo o que retrata,
De alegre que era, vai tornando triste,
No fluido espelho móvel de ouro e prata...

Parece até que o rio tem saudade
Como eu, que também sou desta maneira,
Saudoso e triste em plena mocidade.

Dá-se em mim o fenômeno sombrio
Da refração das árvores da beira
Na superfície trêmula do rio...

        (DA COSTA E SILVA, 1919).


No título do soneto perpassa a ótica de uma atmosfera germinada pelo distanciamento. “Sob outros céus” revela a fusão melancólica do eu-lírico e do rio Parnaíba, por meio dos elementos de similaridades (tal qual, igual). O poeta assiste ao rio e às águas rasas que se esvaindo nas matas, vão se emaranhando nesta contemplação da terra celebrada no âmbito da ausência, saudade, dor, júbilo e nostalgia.

          Tal exegese pode ser mais plausível na terceira estrofe do soneto em que o sujeito lírico e a terra passam a ser indissociáveis: “Parece até que o rio tem saudade/Como eu, que também sou desta maneira, / Saudoso e triste em plena mocidade” (Versos 9-11). O espaço poético descortina-se pelo encontro recíproco da alma sombria e da superfície das águas.

Em efeito, o espaço da literariedade descortina-se na dimensão dos opostos: terra e céu, finito e infinito, triste e alegre, os quais formam imagens justapostas no ser da linguagem. E o canto da saudade germina por meio do poder da imagem poética que equivale às figuras autênticas e vivenciadas pelo poeta. Ademais, a saudade é uma temática dominante na obra de Da Costa e Silva, de acordo com a defesa do professor e crítico Francisco Cunha e Silva Filho. A lembrança é cantada sob a égide de imagens reais em vários sonetos do poeta. A autenticidade das imagens em Da Costa e Silva casa-se perfeitamente com Os signos em rotação, de Octavio Paz:

          [...] as imagens do poeta possuem autenticidade: o poeta as viu ou ouviu. São a expressão genuína de sua visão e experiência do mundo. Trata-se de uma verdade objetiva, essa verdade estética da imagem que só vale dentro de seu próprio universo (PAZ, 1986, p. 37).

          Paz (1986) garante que as imagens jamais se interpretam com palavras, uma vez que as imagens vão além do signo-objeto. Cabe, ao leitor, um repensar e reviver dessa veia imagística. Isso porque, numa perspectiva valéryana, o poeta e o leitor devem jogar o mesmo jogo, pensando por imagens. E a obra de Da Costa e Silva é um convite ao leitor na revisitação telúrica e no enaltecimento da infância liricamente sugestiva, simbólica e real.

          Todo o construto imagético de Da Costa e Silva vale-se do universal, pois o poeta canta a sua aldeia, lembrando Léon Tolstoi: “se queres ser grande, cante primeiro a sua aldeia”. O poeta é universal nos temas da saudade e da infância nos rios do Piauí. Tais escolhas fazem o texto ultrapassar os anos, sendo sempre atual, porquanto, na visão do formalista russo Tomachevski, em sua obra Temática, o bom escritor deve perseguir a temática universal, aquela que em todas as épocas será lida e relida e capaz de reflexões. E não há nada mais de universal do que a terra, o lugar de habitação, especialmente a mais alta expressão de identidade e memória de um povo.

           Na mesma estirpe de memória sinestésica, histórias, saudades e homenagem ao príncipe dos poetas piauiense, é o soneto “Visão do Rio Parnaíba”, da obra Areias, de Francisco Miguel de Moura que, para mim, apesar de ser a obra inaugural do poeta, é um dos grandes livros, ao lado de Universo das águas (1979), Sonetos escolhidos (2003) e outras obras.
O poeta Francisco Miguel de Moura, membro da Academia Piauiense de Letras, começou a produzir na década de 1960 e está em constante atividade poética e de crítica literária. Uma de suas formas de composição é o soneto, intensamente carregado de imagens, metáforas e símbolos que também aproximam o leitor do mundo telúrico. Por excelência, um sonetista de mesma qualidade literária que Da Costa e Silva e Raimundo Correia. A propósito, leia-se da obra Areias, o soneto “Visão do rio Parnaíba”: 

VISÃO DO RIO PARNAÍBA

(Com o perdão de Da Costa e Silva, o maior dos poetas piauienses).


Parnaíba, te vejo intensamente,
na dor de “velho monge” resignado,
a dar vida, prendido na corrente,
a derramar-te  longe, e fatigado.

No rijo dorso levas, noite e dia, 
lendas, canoas, barcos, pescadores.
E em cada braço, a verde ramaria
enfeitada de rendas e de cores.

Sem bordão, sem rosário, sem vaidade,
desafias o sol, a areia ardente,
abraçando cidade e mais cidade.

Nessa faina, ora calma, ora inquieta,
humildemente, carismaticamente,
cantas do canto que cantou o poeta.

          (MIGUEL DE MOURA, 1966).



          A sugestão e o encadeamento de imagens poéticas são pontos fulcrais em Miguel de Moura. Para o escritor paraibano Paulo Nunes Batista (2002), no prefácio de Sonetos escolhidos: “[...] um dos fortes da poesia de Miguel de Moura é a criação de imagens poéticas de grande sugestividade. É um descrente, como João Cabral de Melo Neto e Bernardo Élis, que de vez em quando fala em Deus”, como irei mostrar posteriormente ao soneto acima.

          Em “visão do Rio Paranaíba”, o poeta reconhece a presença precursora do poeta príncipe dos piauienses em seu pedido de “licença poética” quase em forma de homenagem a Da Costa e Silva, sobretudo ao finalizar o soneto. Assim como no texto de Da Costa e Silva, neste de Miguel de Moura sobrepuja o efeito sugestivo-visual em que as imagens da terra, da cidade, as cores, as lendas e as histórias se fundem em real grandeza e descrição pictórica.

           Em um único verso, o eu-lírico anuncia a sua visão do rio: “Parnaíba, te vejo intensamente”. Os outros versos que seguem são encadeamentos de imagens próximas de uma tela que vai sendo, aos poucos, iluminada pelo lirismo da nostalgia fatigada do “velho monge”. Ainda que o poeta não selecione substantivos que se oponham às palavras “dor e prisão” da primeira estrofe, o leitor há de concordar que a sugestão dos signos na segunda estrofe traduz o significado da alegria e da liberdade:


No rijo dorso levas, noite e dia, 
lendas, canoas, barcos, pescadores.
E em cada braço, a verde ramaria
enfeitada de rendas e de cores.


          Nos versos acima, a poetização é levada ao plano de um quadro artístico que muito lembra a comparação de Simónides de Céos quando apontou a pintura como uma “poesia muda e a poesia uma pintura falante” (Muta poesis, eloquens pictura). Em Miguel de Moura, a poesia parece comunicar-se com a plasticidade das cores da pintura, com os bordados, nos dois últimos versos da segunda estrofe, mas ela não é uma poesia decorativa por si só, é antes de tudo expressão autêntica de uma terra amada pelo poeta.

           Juntamente a tal imagem, o leitor tem o canto das lendas, impressões culturais, cantadas e contadas pelos pescadores às margens verdes desse universo mítico que vai se transformando o Rio de todos os poetas piauienses que me faz recordar intensamente dos versos de Alberto Caeiro: “o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia [...] Porque ninguém nunca pensou no que há para além do rio de minha aldeia”.

          Para além dessa aldeia piauiense, o rio Parnaíba, sem vaidade, sugere o símbolo da seca e opostamente o transbordar e o abraço de outras águas. A imagem que permanece no soneto é a de que o Rio Parnaíba será sempre o espaço inexaurível dos poetas que se misturam ao som das águas e das palavras, nomeadamente na evocação intertextual de Da Costa e Silva, revisitado na voz lírica de Francisco Miguel de Moura.

          A respeito dessa marca intertextual, mas noutra perspectiva de rememoração, cito o soneto “Delírio”. Nele, a figura humana instaura-se no limiar das incertezas e da descrença que se assemelha ao desejo de Criador do Verbo, todavia um criador de imagens delirantes, com recortes na tessitura poética de memórias discursivas:

DELÍRIO 

Peguei da minha Bíblia Sagrada
pensando nela achar todo o Universo.
Lida e relida, não encontrei nada,
tão contrafeito, em dúvidas imerso.

Não tendo a fé no coração gravada,
a virgem fé de remover montanha,
a palavra de Deus, viva, inspirada,
trouxe-me a dor em dúvida tamanha.

Assim, crendo e descrendo, já deliro.
Assim, dias e noites se consomem,
e eu filosofo as dores que transpiro.

Se, enfim, elevo os pensamentos meus,
tenho a angústia infinita de ser homem,
tenho o imortal desejo de ser Deus.

           (MIGUEL DE MOURA).


O soneto é caracterizado pela recorrência da memória lida e o leitor é provocado em dois instantes antagônicos: o momento que se configura na imagem de um sujeito lírico ateu (descrente) e o outro momento poético de um eu confesso na infinitude do Criador Divino e das Escrituras Sagradas. Não estou afirmando nada sobre o sujeito autobiográfico porque não conheço a vida de Francisco Miguel de Moura e, orientada por Ezra Pound, citado alhures, não pretendi falar do autor. É a obra que me proporciona a duplicidade de sentido na exploração da literariedade. Através dela, o poeta revela e desvela os anseios humanos por uma força mística, agnóstica, existencial e transcendental, ao mergulhar-se no desejo de compreensão do próprio universo, chegando a confundir-se nele e transversalmente pelo verbo que se faz carne-palavra. Concernente a similar interpretação, Nely Novaes Coelho escreveu: “Francisco Miguel de Moura aponta para a contradição existente entre o mundo à sua volta, mergulhado no escuro e o súbito vislumbre da força criadora, latente em seu próprio eu”.

          O texto permite a leitura dos signos opostos por intermédio dos verbos “crer” e “descrer”, “encontrar” e “desencontrar” (no sentido de não achar). Dessa cadeia entre o significante e o significado, o leitor tem outros percursos da escritura de negação e afirmação: “não tendo a fé de remover montanhas”, “crendo e descrendo” e “sendo eu filósofo”. Em consequência, o ser existencial entra no conflito que move todos os seres: vida e morte, Deus e Demônio, céu e inferno. É justamente tal antagonismo que leva o eu-lírico à confissão de suas angústias humanas, revelando, por meio da imagem poética, o anseio dilacerado de converter-se na imagem de Deus como o criador do Universo, ainda que no plano enigmático e liricamente alucinado.

          O soneto de Chico Miguel marca-se por um projeto de poiesis que começa e termina em si mesmo: a busca pela completude e compreensão humana frente à delirante ansiedade da origem da vida. Cumpre-me ainda dizer que a poesia cantada por Chico Miguel neste e noutros sonetos se aproximam dos pressupostos básicos da imagem poética discutida pelo poeta e crítico Paul Valéry (1991) quando escreveu, em Poesia e pensamento abstrato, que a poesia é uma dança cíclica que começa e fecha em si mesma.

           Finalizando a minha homenagem concisa, sinto-me segura em dizer que a leitura dos sonetos de Da Costa e Silva e Francisco Miguel de Moura remete o leitor aos aspectos da revisitação do passado e dos momentos sui generis de poetas que não dissimulam na criação das imagens telúricas, pois ambos sentem e apalpam cada detalhe presenciado nos dias mais venturosos da vida: a infância. Esta é aflorada pela imaginação, num espaço utópico e mítico arquitetado pela memória: o rio Parnaíba. Tal exegese me fez pensar no fragmento do poema que abre “Areias”:


Não deixes que a areia
branca da infância
enferruge e coma
tua coragem.

Como a aranha tece,
tece a tua teia.

         (MIGUEL DE MOURA, 1966).



          E nas contexturas de memórias e na celebração poética da saudade, em momentos de produção cronologicamente díspares, dois grandes poetas brasileiros convergem-se nas imagens da terra-sacramento: o Piauí. Da Costa e Silva e Chico Miguel descortinam o espaço poético num cenário paradisíaco ou numa canção de Pasárgada piauiense que, pensando em Paul Ricouer (1978), seria a nova aurora da palavra, uma vez que, com o desabrochar da metáfora, a imagem poética “torna-se um novo ser da nossa linguagem, exprime-nos ao tornar-nos naquilo que ela exprime” (RICOUER, 1978, p. 321).


_______________________


 Referências Bibliográficas:


BLANCHOT, M. O espaço literário.Trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Rocco, 1987.

BRASIL, Assis. A poesia piauiense no século XX.  (Antologia). Rio de Janeiro: Teresina: Fundação cultural Monsenhor Chave. Imago Editora: 1995, 328 p.
CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. 7. ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1987.
DA COSTA E SILVA, Antônio Francisco. Poesias completas (Org) Alberto Vasconcellos da Costa e Silva. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000, 400p.
SILVA FILHO, Cunha Francisco. Da Costa e Silva: uma leitura da saudade. Dissertação de Mestrado. Teresina. Editora da Universidade Federal do Piauí/Academia Piauiense de Letras, 1996.
MOURA, Francisco Miguel de. A literatura piauiense por Francisco Miguel de Moura. In: Entretextos (org) Dilson Lages. Disponível em: Poeta mato-grossense. Professora Mestre e doutoranda na área de Estudos Literários – Universidade Federal de Goiás – Goiânia – GO.




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