sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O gargalo da educação básica no Brasil


Roberto de Queiroz*

A maioria dos estudantes brasileiros dos níveis fundamental e médio é reprovada em avaliações externas. Isso é fato veiculado pela mídia. Há quem afirme que, nesse caso, a responsabilidade é do professor. Em se tratando de professor que trabalhe em escola que lhe ofereça todo um suporte infraestrutural e pedagógico, essa afirmação pode ser verdadeira. Caso contrário, ela deixa de fazer sentido, ou seja, a responsabilidade deixa de ser apenas do professor.
É importante ter senso de realidade em relação aos programas de ensino antes de adotá-los (ou não). Os municípios precisam analisar cuidadosamente os programas de ensino que aplicam, a adequação do material didático e os mecanismos de apoio ao professor. “Mas, principalmente, parar de atrapalhar a escola criando e recriando programas” (João Batista Araujo e Oliveira).
Como professor da rede pública, há mais de quinze anos na educação básica, convivi/convivo com esses programas “criados” e “recriados”, aos quais João Batista se refere. Muitos deles com metodologias que se antagonizam, como é o caso do Alfa e Beto (usa o método fônico e é indicado para o pré-escolar I e II) e o Alfabetizar com Sucesso (usa o método silábico e é indicado para os anos inicias do ensino fundamental), adotados por alguns municípios brasileiros. Há casos em que, paralelo aos programas sobreditos, acrescenta-se o programa Via Escola (usa o método global e é indicado para os anos inicias do ensino fundamental).
Não defendo a tese de que os métodos usados por esse ou aquele programa sejam ineficientes. O problema é que os governantes não visam o alvo. Atiram aleatoriamente para todos os lados. Por que não ouvir os gestores, os coordenadores pedagógicos e os professores, a fim de saber qual programa se adéqua melhor à realidade dos estudantes? Ou por que não dar autonomia aos municípios para que eles construam seu próprio currículo pedagógico, em consonância com as características locais e as diretrizes nacionais?
Afinal, passou da hora de tomar medidas enérgicas aptas a controlar a qualidade do ensino público brasileiro. Para tanto, impõe-se abandonar o faz de conta e olhar de frente o gargalo da educação básica: infraestrutura precária, material didático deficitário e excesso de programas com metodologias antagônicas. Quer dizer, sem dar condições ao professor para desempenhar sua função, ninguém pode responsabilizá-lo pelo mau desempenho da maioria dos estudantes dos níveis fundamental e médio em avaliações externas.

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*Professor de Português, especialista em Letras e Gestão Escolar. Autor de “Leitura e escrita na escola: ensino e aprendizagem”, Multifoco, 2016.




segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A PSICOPATIA, UM MAL QUE NOS ASSUSTA


Francisco Miguel de Moura* 

           Cuidado com pessoas que têm duas caras! Entre mil, há um psicopata, estatística feita por vários órgãos da imprensa. Estatística é estatística, mas, pelo sim e pelo não, é melhor não confiar em qualquer pessoa que você encontre, tenha visto várias vezes ou não. Ou mesmo com pessoa com quem vive socialmente, o dia-a-dia, familiar, ou não. Preste atenção aos seus pequenos atos, suas atitudes e até seu silêncio.
Ainda hoje se pergunta como é o cérebro de um psicopata. Igual ao das pessoas ditas normais? Quem já estudou isto profundamente?  A ciência deveria responder, mas até agora não disse nada com clareza, não trouxe nenhuma certeza.
Psicopatia é um desvio da mente, um conjunto de traços específicos de personalidades que, comumente, mostram a inadaptação social, por condutas reprováveis e até criminosas, levando boa parte à cadeia e aos hospícios. De qualquer forma, é um indesejável à sociedade, por mais inteligente que seja. Entre os norteamericanos, 25% dos prisioneiros são psicopatas. Não deve ser diferente nos demais países.
O psiquiatra americano, Dr. Hervey M. Cleckley, do Medical College, da Geórgia, descreveu em 1941, que a psicopatia pode ser considerada pela observação de um conjunto de comportamentos e traços específicos da personalidade, assim enumerados: a) pessoas que, à primeira vista, causam boa impressão; b) costumam ser egocêntricas e indignas de confiança; c) divertem-se com o sentimento alheio; d) sempre têm desculpa para os seus desvios e descuidos, em geral culpando outras pessoas: eles não têm culpa de nada. e) raramente conseguem frear seus impulsos.
Há dúvidas se a maioria dos psicopatas são homens ou mulheres. Essa proporção é inteiramente desconhecida pelos especialistas, embora as estatísticas de hoje sejam em torno dos homens.
Em 1976, a antropóloga americana, em estudo na Universidade Harvard, conta uma experiência que fez com uma tribo, no Estreito de Bering. Perguntando ao chefe da tribo o que eles faziam com pessoas dessa natureza – que nós chamamos de psicopatas. Resposta: “Alguém de nós o empurraria para a morte, quando ninguém estivesse olhando”.
Não é assim que a nossa sociedade trata os psicopatas. Mesmo sendo pessoas sem respeito pelo outro, fazendo o que lhe vier na cabeça, inclusive os chamados de “sirie killer”, assassinos em série, muitas vezes seguidos ou antecedios de estupro. Perigosos também são os que são aficionados pelo poder, no caso os políticos, ladrões, mentirosos, formadores de quadrilhas (“não vi nada, não sei de nada”, por que não lembrar aqui a frase repetidíssima de Lula). Enfim, de uma forma ou de outra, todos oferecem perigos. Mas, para o reconhecimento de um psicopata é preciso cautela; nem todos os criminosos são psicopatas, assim como nem todos os políticos o são. É preciso observação e conhecimento de sua vida pregressa, de seus atos, de sua vida etc. A psicopatia será herança genética? Tem cura? Há tratamento para o mal? A imprensa e as próprias publicações científicas nunca mostraram exemplos de psicopatas curados.  De drogados que se curam, sim; de assassinos que se arrependem, sim; de políticos que chegaram ao conhecimento e ao cúmulo de um Hitler, de um Bin Laden e de outros que tais – até agora, não.
A gente, de cá, do nosso escritório, de nossa casa sossegada, fica pensando e sofrendo, quando acontecem guerras e ataques tais como os recentes das França, Bélgica, da Síria e de outros países, Indignados com os “feitos” terroristas do Islã. Todos os que preparam as guerras terão um comportamento psicopata?  Perguntamos também por que os talibãs fazem o que fazem, por que em alguns países do Oriente, especialmente os árabes, preparam jovens quase crianças para uma tal de “guerra santa”, a favor de Maomé e do Islã. Entregam, a cada uma dessas crianças, armas e bombas metendo em suas cabecinhas que quanto mais matarem mais virgens terá lá no céu, a seu dispor.
As ideologias têm feito tanto estrago na humanidade que nos apavora, a comunista, a nazista, a fascista, a dos adeptos de Maomé, quando interpretam seu Alcorão de forma tão estúpida. A nossa própria fé cristã, a Religião Católica, na Idade Média, e muito antes, praticou enormes crueldades, levando pobres desvalidos à fogueira da Inquisição. “E assim caminha a humanidade!”, famoso livro que conta a história de nós todos no mundo, esse caldeirão que diria do inferno, se a maioria fosse doente, fosse psicopata, fosse cruel. Infelizmente a maioria sofre e, mesmo sofrendo, admira a fortaleza dos que permanecem humanos. Será que não estamos seguindo o preceito natural de que somos dotados de razão, somos irmãos no sangue, na pele, nos ossos e na alma?   As outras espécies animais não parecem com o homem em crueldade e nos desvios do seu natural, senão em casos muito específicos.    
Como que mostrando a veracidade do pensamento com que iniciamos esta redação, verifica-se no filme “O Silêncio dos Inocentes”, na interpretação do ator Anthoni Hopkins, que a face completa do Dr. Hannibal Lecter (personagem psicopata) aparece bipartida: metade clara com dois dentes de vampiro e metade escura (com um olho de olhar nublado).  
Por fim, é bom não esquecer: “Quando tiver que decidir em quem confiar, tenha em mente que a combinação consistente de ações maldosas com freqüentes jogos cênicos por sua piedade praticamente equivale a uma placa de aviso luminosa plantada na testa de uma pessoa sem consciência”. (Ana Beatriz Barbosa Silva, “Mendes Perigosas”, p.63) 
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* Francisco Miguel de Moura* escritor, membro da Academia Piauiense de Letras.

sábado, 3 de setembro de 2016

EXERCÍCIO ESPIRITUAL

 Francisco Miguel de Moura* 







Por que não fico uma horinha comigo
Para fazer contas das minhas cotas?

Tenho medo de mim, sim? Não?
Tenho medo do mundo que eu cerco.

Que fraqueza! Ou será isto? Ou será mais
Desconhecer Deus em mim palpitante?

Completo não és, contenta-te velho Chico,
Chico humano, saco humano, cisco humano!

- Mas sou um ponto divino? pergunto
A quem devo dar graças por que sou,
Devo alegrar-me comigo, mesmo!
Pular, dançar, gritar, falar e...
Falhar no turvo cinza meu mundo.

E se as forças do corpo de alma descontínuas
Barulham no terreiro em busca de uma estrela,
Eis quanto a minha parte em Deus diminuiu.

Mesmo assim uma estrela ainda pisca
distante e me alivia, e me alumia.

Pisca, pisca, o’ grande maravilha!
É Deus nas viagens do meu (verso).
Vem a minha alma, ao meu corpo,
vem-me, o’ espírito iluminista do que existe,
                                        e do quanto se for pelo espaço eternamente.

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Teresina, 03 de setembro de 2016

sábado, 27 de agosto de 2016

BUSCA E VERDADE - Soneto


 
 
  Francisco Miguel de Moura*



Na busca da verdade, o homem pensa
seu pensamento ser dos mais humanos,
e nisto leva dias, meses, anos!...
E, cegamente, agindo sem detença.

No seu pensar existe a força imensa
de compreender os genes desumanos,
pelo perdão negado. Ah! desenganos
dos insensíveis traços... Desavença!

É o sofrimento em tudo e em toda idade,
nulificando o “ego” e a liberdade,
desconhecendo o amor... Ainda duvida?

Não lembram que foi Cristo, a divindade,
Quem “urbe et orbe” disse com piedade:
“Sou o caminho, a verdade e a vida”!?


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*Francisco Miguel de Moura, escritor e poeta piauiense, membro da Academia Piauiense de Letras.


                          



sábado, 16 de julho de 2016

PALAVRAS Á ALVORADA

 Francisco Miguel de Moura*

Na noite, os pássaros cantam felizes,
antecipando alvoradas
das manhãs friorentas,
cobertos de pena e ar.

Amam, brigam, mas voam,
voar é ganhar liberdade
plena de todas as misérias:
- A fome vem com pouca sede.
E os desejos voltam aos ninhos,
debaixo das folhas verdes.

Pássaros crianças, meninos
brincalhões no belo que é seu canto,
no formoso que é seu voejo.

Ao calor do astro-rei se aquietam.

E nós?  Dormimos não para cantar,
mas sonhar sonhos de passarinhos,
reaprendendo a pular de tristeza.
                        .
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*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro até morrer. Mora no Piauí, mas podia morar em qualquer lugar, desde que sendo e vivendo poesia.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

EU SOU DE ÁGUA

           Teresinka Pereira*

“Eu sou de água”*.
Sou também de flor
e de sol.
Sou uma corola
mordida de esperança.
Mas se chegas
a ferir a minha alma,
eu me faço de pedra
e me precipito
sem compartilhar
o meu único sonho.


ESTA TRISTEZA


Esta tristeza é como
um calice de vinho vazio,
como uma voz adormecida
que nao alcanc,a a sair de mim
e que não deixa a cintura do tempo
bailar em minha alma
uma nova canção de amor.

Esta tristeza já filtrou
as madrugadas mais sublimes
de imaginadas paixões
com teu corpo sobre o meu,
fogo e doce brisa essencial,
palpitante entrega, delírio clássico
do amor até a morte.
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*Teresinka Pereira, poetisa, mora nos Estados Unidos, onde dirige a IWA
(Associação Internacional de Escritores e Artistas)

quinta-feira, 26 de maio de 2016

PAISAGÍSTICA - Poema




 Autor:
 Francisco Miguel de Moura



 
A paisagem e eu somos um.
       Cadê meus olhos?

O verde me envaidece... Vivo!
       Cadê meu pulmão?

Os sons assanham o jardim
        Dizem que ouço
              Canto
              Penso
              E amo.

Amo a réstia de lua
Através da nuvem
Arrumando os céus.

Amo o tudo que cerco
E nesse tudo me amo.
         Partícula.

Não sou Deus nem quero.

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Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, e-mail: franciscomigueldemoura@gmail.com 
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