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sexta-feira, 11 de março de 2011

MOACYR SCLIAR e BENEDITO NUNES

  A LITERATURA BRASILEIRA DE LUTO


Morreram no último domingo, 27 de fevereiro, dois escritores e intelectuais respeitados e muito queridos em todo o país. No  sul, em Porto Alegre, Moacyr Scliar (1937-2011), e, em Belém do Pará, Benedito Nunes (1929 - 2011). 

Moacyr Scliar tinha mais de 70 livros publicados, dezenas de traduções de alta qualidade, ganhou três prêmios Jabuti (2009, 1993 e 1988) e o prêmio Casa de Las Américas em 1989. Médico sanitarista, começou a escrever em 1970 e acabou trocando a medicina pela literatura. Scliar também recebeu pelo romance A Majestade do Xingu, em 1998, o Prêmio José Lins do Rego, da Academia Brasileira de Letras, em que era titular da cadeira nº. 31. Ele foi sepultado segunda-feira, 28, no Cemitério do Centro Israelita da capital gaúcha. Moacyr foi um ficcionista de primeira linha e conseguiu a proeza de ganhar quatro vezes o maior prêmio literário do Brasil, o Jabuti. Apesar de tão premiado, mantinha uma postura simples. Apreciava as rodas literárias, sem se deixar contaminar por uma vaidade que atinge a quem tem mais pose do que talento. Moacyr esteve em Montes Claros, no dia 20 de agosto de 2008, no Centro Cultural Hermes de Paula.


Benedito Nunes, pensador raro, venceu o Prêmio Jabuti 2010 na categoria crítica literária, por seu livro A Clave do Poético. Publicou também O Drama da Linguagem - Uma Leitura de Clarice Lispector e centenas de artigos para jornais de alcance nacional e internacional. Aposentado como professor titular de Filosofia pela UFPA - Universidade Federal do Pará, esse crítico literário, ensaísta e filósofo deu também aulas de literatura e filosofia em diversas universidades do Brasil, da França e dos Estados Unidos. Seu corpo foi cremado dia 28 de fevereiro de 2011, no cemitério Max Domini, em Marituba, a 20km de Belém, PA.  O professor, filósofo, crítico literário, ensaísta e escritor  Benedito Nunes é reconhecido internacionalmente como um dos pensadores mais importantes da atualidade.


O Norte de Minas   - Jornal  
Uma publicação da Indyugraf Ltda.     
www.onorte.net
 02/03/2011 - 11h53m

domingo, 6 de março de 2011

ALONSO ROCHA - PRÍNCIPE DOS POETAS DO PARÁ



Alonso Rocha, falece em 22 de Fevereiro de 2011




Se tivessemos o poder de prolongar a vida do corpo físico de quem quisessemos, Alonso Rocha certamente estaria entre os nomes que desejamos. Mas, somos mortais, e assim mesmo, quando nos encantamos com versos tão soberbos como os de Alonso, mesmo que não presente em corpo físico, seu espírito estará sempre imortal dentro de nós. Este poeta-trovador se indagava em sua trova: Sem resposta que conforte,
dúvida imensa me corta:
Qual o segredo da morte?
Fim? Partida? Porto? Porta?

Fim? Não existe fim para alguém que escreve versos tão sublimes. Serás sempre imortal.
Partida? Apenas deste plano físico, pois onde vais é apenas o repouso merecido pelo que fez.
Porto? Voce, caro poeta, era o porto de nossas almas, de nossas emoções.
Porta? Para ti, uma porta em direção a um andar superior onde observarás a nós que o reverenciamos, e que perpetuaremos seus versos e sua pessoa.

Eu te saudo pelo legado que nos deixou. Salve, Alonso Rocha!
                                    (José Feldman)

Caderno de Trovas


A igreja, as flores e o eleito,
ela de branco e eu tristonho;
foi o cenário perfeito
para o enterro de meu sonho. 


Ao lembrar que o teu brinquedo
é decifrar-me, sorrio…
– De nada vale o segredo
de um velho cofre vazio.


Dei conforto em hora aguda
a tantos (que nem mais sei),
mas na dor só tive ajuda
de mãos que nunca ajudei.


De uma paixão incontida,
o tempo – insano juiz -
pode curar a ferida
mas nos deixa a cicatriz.


Em sofrer minha alma insiste
mesmo sabendo, também,
que a dor da espera é mais triste
se não se espera ninguém.


Quem se julga eterno herdeiro
de um mundo farto e bizarro,
esquece que Deus – o Oleiro –
cobra o retorno do barro.


Não desistas nem te dobres
se o teu trabalho é perdido,
pois nos garimpos dos pobres
há sempre um veio escondido.


Nas manhãs, num velho rito
(com o fim de protegê-las)
o Sol – pastor do infinito -
guarda o rebanho de estrelas.


O Tempo em constante jogo,
renova a festa pagã
quando o Sol – centauro de fogo -
rasga as vestes da manhã.


Por esse amor insensato
eu sei que o céu me condena,
mas a escolha do meu ato
eu troco por qualquer pena.


Por que tanto preconceito,
cobiça, orgulho e ambição,
se os homens só têm direito
a sete palmos do chão?


Quando já idoso e grisalho
te abraças numa paixão,
o tempo é o roto espantalho
que te afugenta a razão.


Quando o sofrer é infinito
e a vida nos deixa a sós,
ao sufocarmos o grito,
grita o silêncio por nós.


Se em noite de Lua cheia
rolas em doce arrepio,
de certo um boto vagueia
na preamar de teu cio.


Sempre que eu sonho na vida
sou, numa luta sem jaça,
borboleta enlouquecida
batendo contra a vidraça.


Sem resposta que conforte,
dúvida imensa me corta:
Qual o segredo da morte?
Fim? Partida? Porto? Porta?


Sobra do amor, rarefeita,
e tudo o que me restou,
a ternura é a flor que enfeita
o jarro triste que eu sou.


Tu partiste: em penitência,
sem pranto que me conforte,
eu sinto na dor da ausência
tua presença mais forte.


2 SONETOS

 À MESMA FLOR
               Alonso Rocha

Quando moço roubei na madrugada
do seio de uma flor recém-aberta
uma gota de orvalho e como oferta
a deixei em teus lábios, abrigada.


Hoje, quando recordo (Oh! Doce Amada!)
esse tempo de arroubo e descoberta
uma saudade, trêmula, desperta
e vem sangrar-me com a sua espada.


Iguais a flor, também envelhecemos
mas ao despetalar ainda trazemos
almas unidas, mãos entrelaçadas,


porque do amor a essência mais preciosa
( assim como o perfume de uma rosa)
permanece nas pétalas secadas.

À JOVEM ESPOSA
                      Alonso Rocha

Hoje eu te trago, em minhas mãos, guardada,
a gota d’água – a pérola serena –
que eu roubei de uma pálida açucena
recém-aberta pela madrugada.


Louco poeta que sou! (Oh! Doce Amada!)
Em trazer-te essa dádiva pequena.
Culpa as estrelas, culpa a cantilena
do vento. E em nossa alcova penumbrada


dormes. E nem percebes no teu sono
que em teus lábios, fechados, abandono
a lágrima de luz – um mundo pleno.


Não despertes, ririas certamente
se me visses beijando, ingenuamente,
tua boca molhada de sereno.


________________________________________

Fontes:
Portal dos Sonhos e das Poesias
Falando de Trova

UBT Nacional


http://www.revistamaisfoco.com.br/blogs/chicomiguel

domingo, 23 de maio de 2010

A PEDRA DE BABEL - Romance.


R E S E N H A

"Autor premiado com Albergue Noturno (2005), Edilson Pantoja volta à cena literária com este surpreendente A Pedra de Babel.
O romancista traz no texto a segurança de quem guarda rico arcabouço filosófico e a arte literária de quem movimenta denso imaginário poético. Como resultado, a obra revela-se majestosa composição metafórica, dimensão fecunda onde afloram inusitadas conversões semióticas: o autor serve-se do virtuosismo da linguagem para arquitetá-la, esculpi-la, desenhar paisagens e o fio da narrativa. Nesta, como sugere o título, as coisas despojam-se de sua concretude e adquirem traços semânticos de entes vivos, a operar fusões: do concreto com o abstrato, do físico com o metafísico, do natural com o sobrenatural, do real com o surreal...
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