domingo, 14 de julho de 2013

II - MAIS UMA VEZ EDUCAÇÃO FAZ BEM

Francisco Miguel de Moura* 







     Noutro artigo sobre as condições da educação no Brasil, eu terminava falando no “bullig”. Não preciso acrescentar minúcias, todos já conhecem o fenômeno.
     A escola não é um lugar tranqüilo, lá acontecem todos os tipos violência: intelectual, moral e física, resultando não apenas em agressão corporal, mas até em ferimentos graves e mortes. E os professores, coitados, agem com que autoridade? Nem dos pais, nem do Estado, nem do sistema de leis governamentais, as mais estúpidas porque aceitam passivamente os crimes e ainda, por cima, protegem os criminosos, porque os deixam soltos. Isto, naturalmente significa o quê? Culpar os inocentes e as suas virtudes. Os mestres e mestras são os primeiros a serem atingidos pela violência, quando reagem, pensando no bem de todos, na harmonia escolar, na sua responsabilidade substitutiva dos pais.  Mas, “na hora agá”, todos aqueles citados como co-responsáveis são omissos, e a escola vira uma casa de crime, um pandemônio. Já se sentiu que, dessa forma, as famílias também precisariam ser reeducadas, e os governos serem mais presentes, com fiscalização dura para com os não cumpridores das normas econômico-educativas, quando destinassem as verbas X ou Y, para determinado colégio, já de si pequenas, a fim de não chegarem defasadas a seu destino, por demora ou desvios (calculados pelos bons economistas em torno de 40% a 50%, acontecendo o mesmo com a merenda escolar). As páginas dos jornais estão cheias desses casos.

     Passando para as condições físicas, os prédios que abrigam o “santuário da educação”, na mor parte das vezes é representado por casas velhas, deterioradas, sejam próprios do governo ou de propriedade privada (ocupadas, supostamente, por aluguel) com tetos desabando, se há vento ou chuvas, sujos por fora e por dentro. E segurança policial, meu Deus, quem foi que disse que há de verdade?  Mobiliário: carteiras, mesas armários para professores e secretários, tudo em petição miséria. Falta energia, falta ar e ventiladores para as horas mais quentes do dia. É um castigo para os alunos, também sem os suportes mínimos como uma biblioteca atualizada. Os computadores, quando existem, são aparelhos velhos, caindo os pedaços, sem ninguém para dar as primeiras aulas da matéria (a técnica para seu uso adequado). Quem já soube, nos programas de governo, de ações no sentido de prover as escolas com laboratórios: bibliotecas (sempre ativadas pela compra de obras novas); em laboratórios de ciências e tecnologia? Quem já ouviu falar nos programas de governo algo semelhante a cursos de especialização e aperfeiçoamento para professores, mesmo que ministrados na localidade onde residem?  Esses cursos devem ser gratuitos, professor não tem dinheiro sequer para comprar um livro ou caderno, nem pode pensar num “notebook”.  Cursos de “capacitação” ou “reciclagem” – nomes bonitos, estranhos - não é do que estou tratando. Falo em aperfeiçoamento mesmo: - cursos de mestrado, de doutorado, cursos técnicos e cursos teóricos dentro das respectivas áreas de conhecimento.

Outrora quando a escola pública era realmente uma escola de alto padrão, os mestres eram já doutores, defendiam tese. O salário do magistério, todos sabem, nunca foi compensador, mas hoje está a mil léguas de distância do que foi no passado, de forma que o vendedor de bananas no mercado ou os varredores de rua podem ganhar muito mais que o professor que dá a vida pela profissão, pelos alunos, pelos livros. Qual é o professor, com turmas de mais de 30, 40 e até 50 alunos, dentro das condições físicas citadas, que é capaz de fazer o milagre de ser um bom mestre, de fazer entrar na cabeça de seus discípulos que aquilo é uma escola e que as aulas devem ser aproveitadas ao máximo?

    Aperfeiçoamento por conta própria não existe, nem pode existir na vida que leva um mestre-escola ou professor do segundo grau. Como fazer, então? Continuar tudo como está para não piorar mais a situação, como perca do emprego ou diminuição do salário. Assim, precisam dar aulas em vários colégios, na maioria das vezes fechando o ciclo diário dos três turnos. E chegam a casa exaustos pela espera do ônibus e outras chateações que possam acontecer no seu percurso. 

    Apelar para que autoridade, a fim de que a situação se modifique?  Somente ganhando a rua, somente fazendo passeatas, protestando para que o Brasil inteiro sinta e participe com suas opiniões, criticando essa total desorganização na qual vivemos e com a qual convivemos.  Leis até que temos demais (umas boas e outras contraditórias e dispensáveis), mas falta o cumprimento mínimo das mais urgentes: - falta fiscalização e penalidade aos infratores.

    Falta apelar para o voto democrático, não precisamos de nenhuma reforma que não seja a do homem: político, administrador e cidadão. Qualquer outra, no momento, é golpe. As ruas estão dizendo.



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*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras, mora em Teresina, Piauí. Membro também da União Brasileira de Escritores - UBE-SP e da Intrnational Writers and Artists Association - IWA, Estados Unidos.






2 comentários:

Gisa disse...

Meu querido Chico!
Obrigada pelo cumprimento às meninas. Elas agradecem satisfeitas com um grande bj para ti.
Outro vj, desta vez meu, no teu coração.

Umbelina Gadelha disse...

Muito bom o seu artigo. Verdade absoluta
Abraços

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