sábado, 11 de agosto de 2012

LITERATURA É MUITO MAIS

LITERATURA



*Francisco Miguel de Moura

   
 Foto: http://revstaalfa.abril.com.br
   A partir da esquerda: Jorge, Joelson, João - o pai, James e Eulália - a mãe, 
todos Amados. James Amado também foi um escrior de renome.


 
Há  muita literatice por aí, é verdade. Basta olhar-se as rumas e os calhamaços de best-sellers que se espalham pela livrarias, papelarias e supermercados. Da mesma forma que uma grande parte dos homens modernos não lêem livros senão de “auto-ajuda”, muitos outros lêem bastante, e até relêem os grandes autores, as grandes obras.  Dentre mil livros de “auto-ajuda”,  um ou dois valem a pena ser lidos.  Neles, escapam algo de mais profundo que   não  conseguem dizer, porque o interesse de seus autores e editores é imediato: vender muito, ganhar muito dinheiro. Os ignorantes caem na cilada. Assim como nós caímos na conversa bonita dos políticos e terminamos por acertar nos piores. Assim como, às vezes, por paixão, torcemos pelos piores times de futebol.

Na verdade, temos o direito e o dever de estar em dia com tudo que haja neste mundo, que aconteça neste mundo – de traficantes e drogados a ladrões à mão armada e seqüestradores, polícia corrupta, juízes que transgridem a lei nos seus julgamentos, etc. O mundo está cheio de coisas novas e velhas que precisamos saber, pelo menos por alto, quando não sejamos um especialista nessas matérias. E temos que suportar tudo, por amor à vida e à convivência social. No Brasil de hoje, em tudo está o futebol, o carnaval, a política... E porque não também a literatura?  “Já a  política, mesmo que a gente não queira saber dela, ela quer muito saber da gente”, diz o público, que entende mais do que nós outros. 

Porém a literatura é mais tranquila. Aparece raramente, mas aparece. De modo especial, a boa literatura. Muitas novidades saíram, por exemplo, na revista “Literatura”, editada em Brasília, depois em Fortaleza, pelo escritor Nilto Maciel, órgão que teve uma vida de quase 40 números. Por ela passaram os maiores escritores da atualidade brasileira, por ela rolaram artes: artigos, poemas, contos, crônicas, críticas, traduções, e ainda mais escritores do exterior, ilustrações, entrevistas, meu Deus!  E dizer que de tudo não se aproveita nada é uma injúria, uma infâmia! Ela está depositada nas melhores bibliotecas, sim. Dizem “os ignorantes, analfabetos de pai e mãe” que “a literatura não serve pra nada”. Mas ela atrapalha?  Não.  É caladinha. Para nós, que sabemos ler e escrever, literatura serve para alguma coisa. Para registrar as emoções e sentimentos da vida íntima ou social. Aqui são registrados momentos que em tempo algum a história registrou ou registrará. Por isto é que se considera também a literatura como documento. Muitos escritores se perdem numa tal mistura de romance histórico com romance social. Todo romance, toda literatura já é história e já é social, não precisam de dados oficiais.

    Na revista “Literatura” escritores novos tiveram vez. E lembrando disto, anotamos que o novato tem primeiramente um sonho: o livro de poesias. A poesia é difícil,  é o sumo da literatura. E os jovens, geralmente são muito palavrosos, querendo dizer de si especialmente o amor, sem saber que a prosa favorece melhor à expressão dos sentimentos comuns. A prosa do artigo e da crônica seria o começo essencial, para treinar. Não para publicar logo. Os melhores livros e os grandes autores geralmente publicam bem tardiamente, depois de um longo aprendizado, depois do diário treino com a palavra e o discurso. O seu senso crítico e sua autocrítica prosperam melhor na maturidade. 

Literatura não é um jogo de futebol, nem um comentário deste, nem a emoção que se sente na torcida de um time inteiro, na entrada de um gol favorável; nem os deboches e maus discursos políticos que acontecem até na Câmara e no Senado; nem as letras de sambas de carnaval, que só servem mesmo para aquele ano, descartáveis como os discursos políticos, como a literatura “midiática”, “de massa”. Sem a literatura, não existiriam o cinema nem a televisão. João Emanuel Carneiro, autor da novela “Avenida Brasil”, da Globo, disse: “Tudo o que faço na vida, aliás, é influenciado por Dostoiévski. Se as pessoas lessem só os livros dele, não precisariam ler mais nada.”

Literatura é um jogo inteligência, emoções e sentimentos fortes, sem violência, trabalhados pelo pensamento e pela razão, na singeleza da criação de filósofos e profetas, escritores e poetas. 

Silenciosa, solitária, confessional ou não, literatura é muito mais. Não acabará nunca, com livros ou sem eles (os textos continuarão a ser produzidos da forma que for mais mais legível, mais convidativa), muito embora não acredito na morte do livro, do jornal, da biblioteca, enfim, "pois tudo que existiu há sempre de existir." (FMM)

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* Francisco Miguel de Moura, considerado por O. G, Rego de Carvalho com um dos três poetas mais importantes do Piauí, ao lado de Da Costa e Silva e H. Dobal, está prepando sua obra quase completa de poesia - quase porque tem o título de "Poesia in Completa", que será lançada em 2016, ano em que completa 50 anos de escritor - considerando sua estréia, com "Areias"(poemas), 1966.

Um comentário:

ANTONIO CABRAL FILHO disse...

Ilmo FMM, boa tarde.
Foi uma grata surpresa, descobrir o url da CIRANDINHA ao "editar" o "Narciso e Outros Poemas", da TEREZINKA PEREIRA, para postá-los no http://letrastaquarenses.blogspot.com.br, que edito. Agora, sou "seguidor", além de expô-la na área de destaque do meu blog. Fiz ainda uma extensa matéria sobre o ZANOTO, que pode conferir no blog. Parabens pela bela CIRANDINHAPIAUI !! Abraços! CABRAL

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