segunda-feira, 22 de agosto de 2011

FILHOS DA MÃE GENTIL - Ribamar Garcia




Francisco Miguel 
de Moura*
 



Filhos da Mãe Gentil, de José Ribamar Garcia, Litteris Editora, Rio, 2011, terceiro romance do Autor, é uma paródia da vida brasileira atual, vida social chamada moderna ou pós-moderna, contemporânea.  Uma boa história e uma boa crítica à sociedade vigente. Pelo desenrolar-se e pelo final cofigura-se uma sátira. Seus personagens são bem distintos e marcam esta nova obra de Ribamar Garcia, porque feitos com naturalidade, num espaço de tempo limitado. Daí porque, ao leitor passa despercebido o crescimento psicológico dos protagonistas. Ricardo Pimenteira, Graciete, Luizinho, Paulão, Zeloni (o dono da empresa “Santa Ingrácia, Distribuidora”), o Senador (com sotaque nordestino), Geovane (o afilhado de Pimenteira), cada um com sua habilidade de servir e ser servido, para que os negócios (no caso, escuros e escusos) dêem certo. Pimenteira é o dono do ponto de vista – salvo em um ou outro capítulo em que entra a Graciete ou Zeloni, por exemplo, e é quando o romancista quase se transforma em contista, o grande contista que é Ribamar Garcia.  Graciete é um amor que não cresce, porque trocado por bens, mercadorias, dinheiro – embora que não pareça. Ela é sincera, pura, mas não deixa de receber as prebendas do Pimenteira, porque é quase passiva - espera. 

A mãe, nossa terra, foi gentil até o momento em que uma política sem ética entrou em cena, com empresários corruptos como Zeloni, com políticos e senadores crápulas como o Senador da história de Garcia.  Em conseqüência, estes “filhos da mãe gentil”, porque perderam toda a ética, moral e compostura, a quem tudo é permitido desde que dê dividendos ou poder, são, na verdade, “uns filhos da pequepê”, na paródia de Garcia. Houve época em que os brasileiros foram gentis – “um povo bom” - mas hoje, somos uns grossos, desumanos, ou omissos, por medo de pegar a pecha de ter “viés fascista”. E assim, passivos, deixamos tudo transcorrer como na mais sagrada normalidade. Eis o que faz a corrupção pela mercadoria, especialmente a mercadoria-dinheiro, o vil metal. E é disto que o romance nos convence como leitores.

 O autor escreve correto, com estilo forte e enxuto, sem contudo deixar de ser contundente e, de vez em quando, oferecer frases do saber popular e muitas vezes cínico a respeito do que está na ordem do dia.  Normalmente só coloca no discurso a palavra ou expressão necessária, tornando o texto de fácil leitura. E fácil leitura não significa desmerecimento: Escrevemos para que nos leiam e compreendam, os clássicos fizeram isto e os bons autores de hoje continuam.

Um momento interessante é quando Pimenteira se interessa por Geovane, seu afilhado, não por causa da pessoa, mas prevendo servir-se dele. Outro momento é o regresso de Pimenteira para Vitória (onde está construindo uma pousada), sim, porque lhe vem à lembrança os primeiros anos de vida: - um flash psicológico do personagem: “Caminhos de sentimento, de recordações, porém nenhuma saudade...” - pensamento simples, seco, passando imediatamente para suas preocupações “maiores”. 

Os caminhos da infância de Pimenteira podem ter sido parecidos com os do autor de Filhos da Mãe Gentil, mas  apenas material e nunca espiritualmente. Daí vejo que Garcia exercitou um distanciamento pessoal, subjetivo, mas não o distanciamento no tempo-espaço, pois realmente escreve a vida presente, atual. Um romance eminentemente social e urbano. Filhos da Mãe Gentil é uma obra marcante em Garcia, mas diferente dos seus contos e de seus romances anteriores.  Pessoalmente, prefiro o Ribamar Garcia com a marca de sua vida e história, um homem que saiu do Piauí, muito jovem, quase criança, foi para o Rio, e lá, trabalhando e estudando, com a sua inquieta mas brilhante inteligência conseguiu fugir da pobreza desta terra e tornar-se ótimo advogado e grande escritor. Mas este é apenas um gosto pessoal, impressionista. E por este novo caminho Garcia inicia uma nova fase. Outros romances virão. Como vieram os contos e crônicas repassados de sentimento, saudade, paixão, em linguagem aproximada da poeticidade. Concluindo: Filhos da Mãe Gentil é utilíssimo, didático, um experimento que terá sucesso de crítica e leitores, certamente.
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*Francisco Miguel de Moura – Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras (APL) e da IWA-International Writers and Artists Association - Estados Unidos
 

Um comentário:

Rosiane Bujes disse...

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