AMO E ODEIO
Francisco Miguel de Moura*
A manhã é meu espelho:
- Odeio as coisas feitas,
quero-as todas por fazer.
Odeio o que é eleito,
quero é constrangê-lo.
Odeio o preço de mercado,
quero a liberdade sem recado.
Perfeição, repetição,
alienação...
Odeio o único e o todo,
amo apenas o singular
entre tantos e outros.
Quase morro de tédio
por ter criado objetos,
abjetos
porque não tinham arte.
Amo ser pleno e livre,
com uma felicidade sem
remédio.
Ou o dia que não se repete.
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*Francisco Miguel de Moura,
poeta brasileiro.

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