quarta-feira, 1 de maio de 2013

FRANCISCO MIGUEL DE MOURA - 2 SONETOS



EM DUAS RIMAS


Francisco Miguel de Moura*
                                              

A vida nasce numa enorme festa,
Nasce do amor, no instante da folia
Do sexo, da paixão e da alegria.
Mas também chora. Pra que a vida presta?

Há confusões. Porém sobra uma fresta
Por onde socorrer-se na agonia,
Dá passagens na busca de harmonia.
Há morte e vida e luzes nessa gesta.

Há buscas ideais, filosofia...
Indagações: Meu Deus, que coisa é esta?
O amor a transformar-se em poesia.

Porém morrer cantando, ou numa sesta,
Ou ir sorrindo para uma outra festa
É tudo quanto o homem mais queria.


ELA, QUEM É?


Quando ela passa esconde-nos o rosto,
o corpo em forma nela é intenso lume,
mas, nos passos, derrama um tal perfume,
e olha, e fala, e ri com infindo gosto.

Quando ela vem de novo é uma esperança,
e a gente nem pressente. Está no espelho
o vulto airoso... E não se quer conselho,
nem prestar atenção quanto ela avança.

De outra vez ela passa e nem se acena
com a saudação comum de cada hora,
mesmo sentindo a graça da açucena.

Mas na última vez, vem tão sagaz,
nos entrega ao inimigo sem demora
Quem sabe se ela volta ou nunca mais?
__________
*francisco miguel de moura, poeta brasileiro, também escreve romances, contos, crônicas e é articulista do jornal "O DIA", onde escreve todos aos sábados.
                                e-mail: franciscomigueldemoura@gmail.com

Um comentário:

Verinha Portella disse...

Boa noite,Mestre!!

'"Meu Deus, que coisa é esta?
O amor a transformar-se em poesia."

Que maravilha ...
Parabens.um abraço carinhoso.
veraportella

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