quinta-feira, 7 de outubro de 2021

 


            EXERCÍCIO ESPIRITUAL                    

 

 Francisco Miguel de Moura*

 

Por que não fico uma horinha comigo

Para fazer contas das minhas cotas?

 

Tenho medo de mim, sim? Não?

Tenho medo do mundo que eu cerco.

 

Que fraqueza! Ou será isto? Ou será mais

Desconhecer a Deus que em mim palpita?

 

Completo não és, contenta-te velho Chico,

Chico humano, fardo humano, cisco humano!

 

- E se sou um ponto divino,

A quem devo dar graças por que sou?

Devo alegrar-me comigo!

Pular, dançar, gritar, falar e...

 

Vou falhar no turvo cinza do meu mundo.

 

E se as forças de corpo e alma descontínuas

Barulham no terreiro em busca de uma estrela,

Eis quanto a minha parte em Deus está sumindo

 

Ainda assim uma estrela pisca, pisca

Distante e me alivia, e me alumia.

 

É Deus nas viagens do meu(verso).

Vem a minha alma, ao meu corpo,

Vem-me por inteiro, Espírito que anima

Do que existe e do quanto vai embora

pelo espaço, eternamente.

______________________

                     *Francisco Miguel de Moura, poeta, um espírito sofredor, no mundo de                                                                meu Deus

 

 

domingo, 3 de outubro de 2021

 


O TEMPO DOS OLHOS

 

          Francisco Miguel de Moura*

 

Não senti o olhar de hoje,

o que passou ou o que vem.

- Com noites desencontradas,

Não há mais o que é “vai -e- vem”.

 

Quero me cuidar de mim,

mas veio o tempo das dores,

procurando ancoradouros

que já sumiram, sem fim.

 

Quando eu olho para o ontem,

só vejo um olhar mirrado

de pássaro desencantado,

sem tempo, sem amanhãs,

caindo de asas quebradas,

na escuridão das estradas,

sem pouso, sem salvação.

_______________

*Francisco Miguel de Moura, poeta.

domingo, 26 de setembro de 2021

 


DELÍRIO

          Francisco Miguel de Moura*

 

Nada fazer - final que não existe.

No nada é que eu não fico

para não perecer inutilmente.

Todas as coisas são feitas,

o delírio, um futuro sem luta

um amor em degredo.

 

A alma não vale a vela que se apaga.

 

Assim me viro com palavras loucas,

minhas mãos misteriosas nos desejos.

Deus é homem, espírito quando faz.

Só o Demônio rirá por seu avesso,

orgulho de fazer quando é desfeito

nas mãos dos anjos malcriados...

 

Então, me centuplico em suspiros e sopros,

enquanto o Diabo e o Nada se gargalham.   

_____________

*Francisco Miguel de Moura, poeta. The. 26/09/21    

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

 


                                                         QUASE...

                                       Francisco Miguel de Moura*

 

As palavras me cantam

                    me encantam

me põem à prova.

 

Às vezes me desatino,

depois quase choro,

não sei o que é “quase”.

 

Lágrimas me caem dos olhos

e me jorram por dentro.

Quase, quanta mágica!

                 Ai, que veneno!

 

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

 


POEMA PARA ANTÔNIO

              Francisco Miguel de Moura*

 

Salve Antônio! Você é um ramo

da árvore do bisavô de tantas eras!

Filho de Filipi, qual seu avô Franklin,

como primogênito, salve, salve!

Salve, salve o seu primeiro aninho

e que se prolongue em muitas primaveras.

 

Você é minha mais bela paisagem

nos braços do avô, com seu sorriso,

belo anúncio de verdade e vida,

no colo do pai, nos braços da mãe,

para nossa alegria viva, nossa paz.

 

Que o encanto dos seus olhos,

Anunciem uma vida sublime,

Qual se a herança terrena fosse

Um paraíso que do céu se abriu.

 

Deus o salve, meu bisneto Antônio!

_________________

*Francisco Miguel de Moura, o avô coruja, com muita alegria

quinta-feira, 26 de agosto de 2021


 RETRATO - 2

 

           francisco miguel de moura*

 

a pele escura gravada

na tela branca do fundo

 

o brilho da face inteira

no raio d'olhos de mando

 

a língua trincando os dentes

silenciosa e vulcânica

 

e a cabecinha inclinada

me implode a paixão

                              me espanta.

 

__________

*francisco miguel de moura, poeta

de muitos poemas

domingo, 15 de agosto de 2021

 


ALMA PENADA

                        Francisco Miguel d e Moura*

 

Alma que vive ao o lixo e à poeira

da estrada desta vida, em desalinho,

não clama, nem reclama o descaminho,

pois do mundo não tem eira nem beira.

 

Alma sem palma, em passos desavindos,

corpo ferido, sangra... E é desprezada  

à voragem do tempo, amortalhada,

sem vez nem voz, os dias lhe são findos.

 

Sem sentir os que passam com motejo,

nem mais outra alma vil, destrambelhada,

que murmura: – Infeliz bicho! O que vejo?

 

Chegando ao fim do seu único desejo,

o de morrer, a triste alma penada

 sente a ave do céu trazer-lhe um beijo.

                             

                                       Teresina, 15-08-2021

____________ 

*Francisco Miguel de Moura, poeta-autor, homenageando

o escritor da frase “Tanta alma esticada no  curtume”, de

  Francisco de Assis Sousa.

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